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Transtejo | Conselho de Administração demissionário acusa relatório do TdC de ‘ofensivo e ultrajante’

O conselho de administração da Transtejo/Soflusa, que assegura ligações fluviais no rio Tejo, pediu hoje a exoneração, após um relatório do Tribunal de Contas (TdC) que acusa a empresa de «faltar à verdade» e de «práticas ilegais e irracionais».

A situação foi admitida pela presidente do Conselho de Administração demissionária em conferência de imprensa prestada na tarde desta quarta-feira no Terminal Fluvial do Cais do Sodré.

«Como podem ver nas nossas caras não somos maluquinhos, e por essa razão estamos aqui, a dar a cara. Sabemos perfeitamente que não há navios sem baterias», afirmou Marina Ferreira, numa reação às críticas do TC.

Em causa está a compra de nove baterias, pelo valor de 15,5 milhões de euros (ME), num contrato adicional a um outro contrato já fiscalizado previamente pelo TdC para a aquisição, por 52,4 ME, de dez (um deles já com bateria, para testes) novos navios com propulsão elétrica a baterias, para assegurar o serviço público de transporte de passageiros entre as duas margens do Tejo.

Para a gestora, as considerações do Tribunal de Contas «são ofensivas e ultrajantes. O procedimento foi bem feito e promoveu o interesse público», frisou hoje a gestora, que explicou que «inicialmente, estava previsto um modelo da compra de baterias diferente deste, nunca, nunca, foi sequer imaginado que os navios podiam vir sem baterias.

Somos pessoas sensatas, razoáveis, informadas e que tentam tomar as decisões acertadas», declarou Marina Ferreira visivelmente transtornada com os comentários do TdC.

«Em 2019, quando este processo foi preparado, o preço das baterias estava a descer vertiginosamente, e o prazo das baterias é bastante mais curto que o dos navios porque as baterias são bens consumíveis. Daí que haja marcas de automóveis que vendem baterias com um contrato diferente das dos automóveis», referiu a administradora demissionária.

«Era um modelo que estava em exploração em 2019. Não foi uma experiência, mas sim a necessidade de precaver que se caso – como os navios só iriam ser entregues bastante anos depois – caso os preços das baterias mantivesse aquela tendência de descer, não fossemos à partida comprometermo-nos com um valor que passados dois ou três, quatro anos, estaria em metade ou em um quinto do preço.

E, portanto, optámos por deixar de fora o conjunto principal das baterias e incluir apenas as baterias necessárias para um navio.»

Marina Lopes Ferreira acrescentou que se tratava de «um concurso de conceção e construção, tínhamos de ter a certeza que o processo que estávamos a altercar era um processo bem concretizado. E digo-vos que é difícil fazer concursos para navios».

E deixou algumas questões: «o que está em causa é como é que a Transtejo irá agora fazer a aquisição das baterias. Vai comprar ao estaleiro, que era o processo agora recusado. Vai lançar novo concurso internacional? Vai fazer outra solução que o código da contratação pública pretende?».

A gestora deixou a recomendação de que «do ponto de vista do risco para a Transtejo, aconselhávamos a que, nesta fase, a compra fosse efetuada diretamente ao estaleiro para que os navios viessem direitinhos e já com as baterias todas montadas», mas acrescentou que «o Tribunal de Contas entendeu que esta forma não é adequada. Quem cá estiver, e eu iria acolher a indicação do TdC, sem o prejuízo de repudiar totalmente os comentários que foram feitos ao nosso zelo, à nossa inteligência e respetiva capacidade.»


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