Seixal

Seixal | Elisabete Adrião acusa executivo de ter sido ‘julgada e humilhada nesta Câmara’

Uma parte da discussão na reunião camarária desta tarde no Seixal ocorreu no período Antes da Ordem do Dia, quando a vereadora Elisabete Adrião (PS) acusou o executivo da CDU de ter feito “um aproveitamento político do meu nome, no caso da primeira fase da vacinação anti-covid19”.

EmJaneiro de 2021, após uma postagem no seu perfil de Facebook no qual divulgava ter recebido a primeira dose da vacina enquanto técnica da Segurança Social de Setúbal, numa altura em que o Plano de Vacinação definia prioridades, Elisabete Adrião viria a ser duramente criticada, e alvo de várias queixas no Ministério Público.

Pedindo desculpa por chamar à reunião “aquilo que foi um assunto pessoal”, Elisabete Adrião, relembrou que “há quinze meses fui julgada e humilhada nesta Câmara, e tive de me calar, na sequência de me acusarem ter desrespeitado o Plano de Vacinação enquanto eleita do PS.

Fui vacinada, tal como mais 129 funcionários da Segurança Social, e determinou agora o Ministério Público que não há qualquer prova de crime e que me limitei a cumprir ordens. Abordo hoje aqui o assunto e termino este ciclo. Na altura não foi fácil ficar calada, sobretudo porque dói sermos acusados, mais ainda quando somos inocentes.

O tribunal é o espaço onde se julgam as pessoas e os crimes e se dúvidas existissem, ficou comprovado que não obtive vantagens por se vereadora nem militante do PS, e pode dizer-se que se contam pelos dedos de uma mão os membros do PS nesta lista de vacinados.

Mas estávamos em ano de eleições autárquicas e o assunto serviu para aproveitamento político.”

Após ler o comunicado que enviou à comunicação social sobre este assunto, a vereadora criticou também o vice-presidente, Paulo Silva, “que como advogado devia saber o que é a presunção de inocência, mas que durante meses alimentou postagens e comentários nas redes sociais dirigidos à minha pessoa e até à minha integridade física e da minha família.”

Em resposta Paulo Silva admitiu que “coloquei dois ou três comentários nas redes sociais acerca do assunto, enquanto cidadão e não como advogado, mas não alimentei nada. Além disso, na altura dessas postagens, a vereadora ainda não era arguida, pelo que não se aplica a presunção de inocência.

O que refere é que houve um despacho de que não ocorreu qualquer crime, o que não significa que no plano da ética e moral, tenha agido de forma correcta.”

O vice-presidente solicitou ainda que “me entregue o despacho do arquivamento, para ver se os meus posts não estavam correctos, documento que analisarei e se vir que estava errado, terei de pedir desculpas”, o que Elisabete Adrião recusou por considerar que “mais do que qualquer outra pessoa, já o terá lido, mas vou ler-lhe a decisão do Procurador neste despacho de arquivamento”.

Sobre o assunto, Joaquim Santos limitou-se a afirmar que “da minha parte limitei-me a esperar pela minha vez para ser vacinado como milhares de portugueses”.

O vereador Eduardo Rodrigues (PS) criticou o posicionamento dos membros do executivo “e a falta de humildade de alguém que já se apresenta como candidato à Câmara Municipal em 2026”, referiu dirigindo-se a Paulo Silva.

“Afirma que a conduta da vereadora não foi a mais correcta, quando foi vacinada enquanto técnica da Segurança Social, mas parece-me que a sua intenção nas redes sociais era atacar o PS nas eleições, num claro aproveitamento politico. O senhor conhece bem o despacho, não dá para acreditar que não o tenha lido.”

Em resposta ao comentário do presidente, o vereador socialista frisou que “o senhor foi também indiciado para ser vacinado, tal como eu, mercê das minhas funções, mas recusámos, tendo em conta toda a situação confusa que se vivia na altura”.

Por sua vez, o vereador Miguel Feio (PS) explicou que “a vereadora foi vacinada como técnica da Segurança Social, e numa situação em que agia em situações de grande perigosidade, deslocava-se a residências de pessoas doentes com covid19, numa posição de risco, que justificava a sua vacinação, bem como dos outros 129 técnicos.

E se até conhece bem a vereadora, antes de colocar os comentários, podia ter-lhe perguntado os motivos.”

O vereador Bruno Santos CDU) acusou a vereadora “de vir à Câmara Municipal fazer a sua vitimização, porque a vacina foi tomada indevidamente naquela altura em que havia tanta gente a desesperar por uma vacina, e agora vem repetir o erro a tentar desculpar-se dizendo que tomou a vacina porque a merecia”.

No período Aberto à População, alguns munícipes regressaram para colocar questões que ainda não obtiveram resposta, como António Palma, que tem um problema com uma obra feita por um vizinho sem sua autorização, e Eludineica Afonso, com o pedido para obter uma casa, após ter recebido nova ordem de despejo.

Outro ‘repetente’ na reunião foi Carlos Vieira, que deixou a sugestão de ser criado “um gabinete para gerir e fiscalizar as construções em zonas como o Pinhal do General, para evitar atropelos” e alertou também para os perigos que existem no actual aterro sanitário.

Maria Isaura Silva colocou uma questão sobre o processo de legalização do seu terreno em Fernão Ferro, e Guilherme Godinho queixou-se do facto de ter um terreno sem limpeza junto da sua habitação, com elevada perigosidade de incêndio e com problemas com a lagarta do pinheiro.

Reuniões descentralizadas e transmissões online

Também na sua intervenção, Elisabete Adrião criticou “mais um ‘veto de gaveta’ pelo senhor presidente de uma proposta do PS para ser incluída na Ordem de Trabalhos, no caso para a adesão do município ao protocolo de adesão às redes de proteção às vítimas de violência domestica. Mas vai ter de arranjar mais gavetas porque o PS vai continuar a apresentar propostas.”

Entre outros assuntos, o vereador Bruno Vasconcelos (PSD) criticou o facto de “continuarem a não ser realizadas as reuniões descentralizadas sob proposta da oposição e conforme o regimento que ainda está em vigor”, aproveitando ainda para questionar o executivo sobre “para quando serão as reuniões transmitidas online, após inúmeras moções aprovadas na Assembleia Municipal, mas que é algo que este executivo continua a empurrar com a barriga”.

Também Elisabete Adrião questionou o facto de as reuniões continuarem sem ser transmitidas online, ao que o presidente Joaquim Santos respondeu que “acertámos do ponto de vista político que a experiência de divulgação das reuniões online começaria na Assembleia Municipal, e quero cumprir isso.

Acho estranho que agora os senhores eleitos não queiram respeitar o que ficou decidido. Sobre as reuniões descentralizadas, agora que já retomámos a vida comunitária, iremos marcar no segundo semestre.”


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