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Mesmo desativado, o fumo continua a sair do solo do aterro ilegal do Zambujal

Junto à praia do Ribeiro do Cavalo (considerada um dos tesouros escondidos a descobrir na Europa) funcionou um aterro ilegal que encerrou apenas muita luta dos populares. Este aterro funcionava numa antiga pedreira, uma das muitas que temos na região, em pleno Parque Natural da Arrábida. O aterro do Zambujal afetou de uma forma negativa tanto a qualidade de vida como a saúde dos locais.

Em Portugal, as estimativas dos cientistas apontam para cerca de 15 mil mortes provocadas pela inalação da poluição presente no ar. Neste local no Zambujal eram rececionados e depositados resíduos de todos os tipos. Nos dias mais ventosos, na Cotovia era possível sentir o desagradável cheiro que emanava. Estes odores desagradáveis faziam com que as pessoas fossem obrigadas a fechar as janelas e tirar a roupa dos estendais para não ficarem sujas.

A licença deste aterro foi revogada, mas continuou a trabalhar da mesma forma só que de forma ilegal. A infraestrutura esteve a cargo, desde 2012, da empresa Greenall Life. A revogação desta licença aconteceu após a Comissão de Desenvolvimento Regional de Lisboa e Vale do Tejo ter recebido várias queixas de ilegalidades cometidas por esta empresa. Segundo a CCDR, desde 2020 que o aterro não recebe qualquer tipo de resíduos.

Mesmo não tendo recebido mais resíduos, a empresa responsável não removeu os resíduos contaminados nem selou o aterro. O que legalmente deveria ter feito. Sobre este aterro, falámos com o organizador dos protestos populares, João Albuquerque. O responsável pela manifestação que em 2020, em plena pandemia de Covid-19, uniu populares e políticos (como foi o caso do presidente da autarquia e da antiga responsável pela assembleia municipal, contou que o deposito ilegal de resíduos terminou após a manifestação e a vigilância popular.

Mesmo assim, os resíduos e a perigosidade dos mesmos mantêm-se no solo. Os que passam pelo antigo aterro podem ver o fumo que constantemente sai daquele solo. Isto acontece devido a reação química existente. A PJ analisou este solo. «Nós, o grupo de cidadãos, temos intervindo junto das entidades competentes e temos acompanhado os processos existentes», conta.

Uma petição chegou a circular online para fechar este aterro. Durante os anos, tanto a Câmara Municipal de Sesimbra como a Junta de Freguesia do Castelo juntaram as suas vozes com a dos populares para chamarem a atenção para este problema. Aos meios de comunicação, a presidente da Junta de Freguesia, Maria Manuel Gomes, contou que existe «um relatório a dizer que os resíduos lá depositados não eram os que estavam contemplados e permitidos e terá sido por isso que a CCDR revogou a licença».

Mesmo com o aterro desativado, os locais continuam a queixar-se dos fumos e dos odores existentes. O que apresenta um possível perigo para a saúde pública. «Nem a autarquia nem a autoridade de saúde local estão interessadas em analisar/divulgar os resultados destas análises, afirmou João Albuquerque. Este aterro ilegal está em tribunal e, segundo Albuquerque, a «APA adjudicou por 100.000 do fundo ambiental um plano de remoção».


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