Opinião

GOUVEIA E MELO, O ALMIRANTE COM PÉS DE BARRO

Uma opinião da inteira responsabilidade de Bruno Fialho

Henrique Gouveia e Melo, actual Chefe do Estado-Maior da Armada, era um cidadão anónimo até conseguir saltar de n.º 2 para n.º 1 de uma Task-Force, que tinha como missão inocular toda a população portuguesa, inclusive crianças inocentes que poderão ir sofrer danos irreversíveis derivados da crença de alguns políticos que estavam obstinados a vencer eleições através da propagação do medo e com a ajuda de uns vendidos às grandes farmacêuticas.

Relembro que, como n.º 2 dessa Task-Force, Gouveia e Melo, passou despercebido, mas como n.º 1, impôs uma ditadura do medo e começou a dar entrevistas em catadupa, tendo conseguido chegar a Chefe do Estado-Maior da Armada, ultrapassando camaradas com maior antiguidade que estavam na calha para este cargo.

Se Gouveia e Melo teve este tipo de conduta com camaradas oficiais superiores, o que acha que aconteceu quando ele teve conhecimento que uns “meros sargentos e marinheiros” se haviam recusado partir para o mar, alegadamente, num navio quase a cair de podre e com as seguintes condições:

– As previsões meteorológicas apontavam para ondulação de 2,5mt a 3mt, com período de 7 segundos;

– O NRP Mondego apresenta limitações técnicas graves, que comprometiam a segurança do pessoal e do material e o cumprimento da respetiva missão;

– Em formatura na ponte, o próprio Comandante do NRP Mondego assumiu perante a guarnição que não se sentia confortável em largar com as limitações técnicas que o navio apresenta;

– O navio possui dois (2) motores estando um (1) deles, o de Bombordo, inoperativo;

– O Motor de Bombordo aquando do seu funcionamento, apresentava diversas fugas no coletor de admissão, no coletor de evacuação, nos turbos do motor, estando constantemente com arrastamento de óleo e tendo que se purgar constantemente. Este motor necessita de uma manutenção W4 há cerca de 2000 horas de funcionamento;

– O Motor de Estibordo com fugas diversas, em tudo idênticas às fugas identificadas no motor de Bombordo, com consumo de óleo. Este motor necessita de uma manutenção W4 há cerca de 2000 horas de funcionamento;

– Após ser servido o jantar a bordo, às 19h, foi detetada uma franca entrada de água através da bomba de refrigeração do espaço de máquinas, tendo sido tamponada, limitando assim o seu funcionamento;

– Com a falta da bomba de refrigeração do espaço de máquinas, tinha que se pôr o circuito de emergência em cima através do circuito de incêndios, limitando em muito a capacidade do navio para o combate a incêndios numa situação de emergência;

– O navio possui três (3) geradores de energia elétrica, estando o gerador nº 1 Estibordo, inoperativo desde outubro de 2022;

– O gerador nº 2 Bombordo, quando entra ao barramento entra em alarme havendo o risco de o navio ficar sem energia elétrica a bordo. Apresenta fugas de gases, fugas de óleo, parte elétrica degradada. Manutenção W5 deveria ter sido feita há mais de 4000 horas de funcionamento;

– O gerador nº3 Ré, apresenta diversas fugas, consome cerca de 18Lt de óleo lubrificante (a capacidade máxima de óleo são 28lt) a cada 24 horas de funcionamento;

– Devido ao facto de, tanto os geradores como os motores PP não terem a devida manutenção, impossibilitada pelos cerca de 500 dias de missão atribuída com 2 horas de prontidão SAR, estes equipamentos apresentam imensas fugas de óleo, aumentando o risco de incêndio a qualquer momento, comprometendo a segurança do pessoal, do material e o cumprimento da missão;

– Quanto ao Sistema de Gestão da Plataforma, funciona apenas a 30%, sendo que é necessário recorrer constantemente aos rondas;

– Lemes, CPP, Caixas Redutoras apresentam fugas diversas, sendo necessária atenção constante aos níveis antes da largada e durante a navegação;

– No trânsito de regresso ao Funchal, durante a missão de rendição nas Selvagens, entre 08MAR2023 e 10MAR2023, o navio teve uma franca entrada de água pelo compensador de gases de escape do motor PP de Bombordo. O pessoal técnico de bordo solucionou esta avaria em 48H, tendo trabalhado noite e dia, honrando, mais uma vez, os seus compromissos para com a Marinha;

– Devido à muito elevada taxa de empenhamento e operacionalidade, sem que se consiga fazer a adequada manutenção, o navio apresenta inúmeras fugas de óleo que se acumulam nos porões, aumentando significativamente o risco de incêndio, comprometendo a segurança do pessoal, do material e o cumprimento da missão. Prova disso mesmo é a quantidade de vezes que são requisitados três (3) isocontentores de cada vez, para fazer esgoto aos resíduos oleosos acumulados nos porões;

– O navio não possui um sistema de esgoto adequado para armazenar os resíduos oleosos a bordo, ficando estes acumulados nos porões, aumentando significativamente o risco de incêndio. Apesar de o navio possuir dois (2) tanques de armazenamento de resíduos oleosos, os mesmos não são utilizados, devido ao facto de o navio estar limitado ao circuito de emergência, havendo apenas a possibilidade de esgotar todos os resíduos para o mar, não cumprindo a Convenção MARPOL;

– Apesar do vasto leque de meios do navio, que poderiam contribuir para a segurança do pessoal e do material, estes não são utilizados porque, desde que o NRP Mondego foi aumentado ao efectivo, estes meios nunca ficaram operacionais;

– Mesmo com a elevadíssima taxa de empenhamento e operacionalidade do navio, o espírito da guarnição sempre foi de sã camaradagem, entreajuda, brio profissional e lealdade perante o Comando do navio e a Marinha, de forma a cumprir todas as missões atribuídas.

Será que para o Almirante Gouveia e Melo, os militares só teriam o direito a recusar uma ordem ilegítima, a julgar pelas provas apresentadas, quando estivessem a morrer afogados?

Já não basta ter as mãos “manchadas pelo sangue” de inocentes que foram coagidos a inocular-se com uma substância experimental, será que ele ainda considera normal sacrificar a vida 13 militares, possivelmente para alimentar o seu ego déspota?

Por último, sugiro ao Almirante Gouveia e Melo para deixar de tentar ser um Deus para os portugueses, pois já se viu que tem pés de barro, e passe a preocupar-se em garantir que os militares ao seu serviço têm todas as condições para cumprir com os deveres e deixe de atacar publicamente aqueles que já deram mostras de valor à Marinha.


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