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Almada | Tânia Mota luta para manter mobilidade e por justiça após acidente de trabalho

Com 36 anos de idade, residente no concelho de Almada, Tânia Mota enfrenta uma situação muito difícil. Depois de ter sido diagnosticada em 2019 com a Síndrome do Intestino Irritável (SII), o que lhe veio alterar vários aspectos da sua vida pessoal, como obrigar a uma alimentação especial, em 14 de Agosto de 2020 sofreu um acidente de trabalho, que deu início ao que se pode classificar como um ‘verdadeiro pesadelo kafkiano’.

Três anos e seis meses depois do ocorrido, continua a aguardar respostas e a ter de contar com a solidariedade para manter alguma qualidade de vida.

“Tem sido um processo muito, muito complicado, e uma caminhada muito longa, mas esta minha entrevista é um grito de angústia, de revolta e um pedido de ajuda. Infelizmente tenho 70% de Incapacidade Músculo-Esquelética, e estou numa situação em que preciso do apoio de terceiros para pagar os vários tratamentos, para manter alguma qualidade de vida e recuperar parte da mobilidade que perdi.”

Às despesas da medicação para a SII, na ordem dos 160 euros por cada caixa, de 55 comprimidos, com duas tomas diárias e “sem comparticipação estatal porque se trata de uma doença considerada do foro psicológico de Stress e Ansiedade”, somam-se as elevadas despesas com a fisioterapia e hidroterapia, que deixaram de ser comparticipados pela Seguradora da entidade empregadora, que lhe deu alta, sem que Tânia Mota tivesse recuperado.

A par com esta situação, intentou em 2021, no Tribunal de Trabalho de Almada, uma queixa contra a Seguradora, e contra os médicos que, com diagnósticos errados e uma operação que a deixou com uma Algoneurodistrofia (também conhecida como síndrome da dor regional complexa).

“É uma doença que afeta as articulações e não tem uma causa específica, podendo ter muitas causas, não tem cura e é degenerativa. No meu caso, afecta a perna esquerda, de forma não reversível, e derivado da operação a que fui submetida, com a qual destruíram por completo a minha vida.”

Fatídico dia 14 de Agosto de 2020

Apesar dos problemas de saúde causados pela SII, “nunca faltei ao trabalho ou coloquei baixa, mesmo durante as crises. Até trabalhei na pandemia de covid19, e apesar de tudo o que se passou depois, e até da minha fragilidade, nunca contraí o vírus.”

No entanto, seria durante uma tarefa rotineira na empresa de que opta por não dizer o nome, “porque a minha luta é contra a Seguradora e os médicos que me colocaram nesta situação”, que a vida de Tânia Mota mudaria para sempre.

“Estava a fazer um serviço que exigia algum esforço físico, quando me aleijei na anca, bacia esquerda, no joelho e na zona lombar e cervical. Vim depois a saber que fiz uma Ruptura do labrum, uma estrutura cartilaginosa que compõe a articulação do quadril, entre a cabeça do fêmur e a cavidade dessa zona.”

Mas este diagnóstico só lhe chegaria decorridos muitos meses, e muito sofrimento depois.

Após o acidente, a entidade empregadora ativou os serviços da Seguradora, que enviou Tânia Mota para o Hospital com o qual tem acordo.

“O acidente deu-se numa sexta-feira, mas só fui consultada dias depois. Fizeram-me dois rx quase por favor, e o médico praticamente nem para estes nem para mim olhou, receitando-me injecções de Voltaren e Relmus. As minhas queixas eram ao nível lombar e da anca, mas ele era só médico da Urgência.”

Mesmo com os medicamentos injectáveis, Tânia Mota continuava a sentir muitas dores na zona dos glúteos. “Não me conseguia sentar direita, e voltei a queixar-me ao médico da Seguradora, com quem tinha consultas semanais. Lá decidiu marcar uma ecografia aos tecidos moles na perna, que levou um mês para ser marcada e que não detectou qualquer ruptura.

Entretanto, mandou-me fazer sessões de fisioterapia, massagens, electroestimulação e ginástica, pomadas e injeções diárias para as dores ‘e aguentar’, uma vez que para ele se tratavam de ‘contraturas musculares’, e nunca se preocupou em marcar exames para o joelho e zona lombar.”

Em Setembro, e continuando com dores, “tive de bater na mesa e gritar, porque já não aguentava, passava noites sem conseguir dormir, e o médico sem me examinar em condições. Foi quando me acusou de ser mentirosa, e de não querer continuar o tratamento que prescrevia, pois queria que tomasse medicamentos que não podia, devido à SII.”

Depois de uma reavaliação e de detectar um alto na zona lombar, “o médico disse-me que podia estar num quadro de uma fibromialgia e mandou-me fazer uma ressonância magnética (RM). Pensei que finalmente ia ter respostas. Mas estava enganada.”

Além da demora na marcação e entrega do exame, o relatório “trazia apenas cinco linhas, sem muita informação, porque essa estava no CD que o médico nunca abriu, e por isso deu-me alta para regressar ao trabalho”.

Desconfiada do que realmente seria o problema, solicitou o CD da RM. “E foi outra luta, porque o Hospital não queria dar, alegando que não tinha ordem da Seguradora.”

A 7 de Outubro de 2020 regressou ao serviço, “só que não conseguia fazer nada, levei até uma almofada para me poder sentar, mas as dores eram brutais, a ponto de nem conseguir conduzir. A 12 de Outubro 2020, tive de voltar a pedir baixa pelo seguro, e o médico encarou-me com uma atitude que classifico como ‘feroz’, mas passou-me outra ressonância magnética e mais fisioterapia e massagens.”

Descontente com a situação, liguei para os Recursos Humanos da minha empresa e supliquei que me tirassem daquele Hospital. Estava desesperada, não aguentava mais dores. Conseguiram com a Seguradora a minha transferência para outra unidade hospitalar em Lisboa, com as despesas de transporte pagas.

Nesta consulta fui examinada da ‘cabeça aos pés’, e mandaram-se fazer mais exames, uma RM que detectou um desgaste do disco L5/S1 com sinais de desidratação, o que o médico (especialista de ombro) entendeu que era uma ‘situação normal’. Mas nem para a perna olhou. Mais fisioterapia, mas desta vez, já sem transporte pago pela Seguradora.

Vivo numa zona com poucos transportes públicos, além da dificuldade em movimentar-me e o centro de fisioterapia está localizado num local onde é praticamente impossível estacionar.

Tive de ir no meu veículo próprio quase sem poder conduzir, cheguei a pedir boleias, pois a seguradora só paga 70% do rendimento mensal.  Mas as dores continuavam.”

Nova esperança termina em pesadelo

Desesperada, em Novembro de 2020 optou por pagar uma consulta a título particular com um médico especialista da anca, “que me mandou repetir os exames e diagnosticou uma ruptura do labrum, bacia rodada, joelho torto e mais uma série de problemas. Disse-me também que era urgente ser operada à anca e bacia, porque o meu caso era muito grave, uma vez que já estava a criar quistos nos ossos, e os músculos e tendões estavam a atrofiar, além da brutal infeção que se desenvolvera em toda a zona da bacia, na coxa e no glúteo.”

Este diagnóstico causou-lhe enorme ansiedade. “Fiquei um farrapo, comecei a ter ataques de pânico porque sentia que ia ficar deficiente por falta de tratamento, fiquei anémica porque perdi peso até chegar aos 45 kg.”

Perante este diagnóstico, a empresa de Tânia Mota contactou a Seguradora, que voltou a marcar consulta com um médico, “desta vez, segundo vim a saber depois, um especialista de mão. Ou seja, nunca fui vista por um especialista da anca, como devia ter sido desde o início.”

Essa consulta com uma especialista da anca, pela Seguradora, só viria a ocorrer mais tarde, com novos exames e RM, do que resultou ser submetida a uma cirurgia de artroscopia, a 17 de Dezembro de 2020.

A cirurgia iria reparar o descolamento da cartilagem do labrum, prendendo este através de âncoras ao osso, e assim também corrigir o desvio da bacia.

“A médica garantiu que seria uma intervenção não invasiva, de rápida recuperação e que em Abril estaria totalmente recuperada. Ouvir isto pareceu-me um milagre. Mas foi o dia em que me mataram.”

Apesar do bom augúrio da data, “porque o 17 sempre foi um número com simbolismo para mim”, admite que “desde o momento em que entrei para a sala de operações, e nunca fora operada antes, senti que algo ia correr mal. Ainda pedi à médica ‘por favor ponha-me boa, mas não me arranque a perna.’”

A operação começou com atraso, “e só à terceira dose de anestesia é que conseguiram pôr-me a dormir. E eu pesava na altura 45 kg e anêmica… Acordei no recobro, gelada, cheia de dores e com uma enorme vontade de urinar. Um enfermeiro explicou-me que se devia à quantidade de soro que levei durante a operação, que durou até perto da meia-noite.”

Foi ao segundo dia de recuperação que falou com a médica. “Explicou-me que tinha feito mais do que esperava e limpara a inflamação em toda a zona da bacia, mas que além das tais âncoras, tinha feito ‘outras coisinhas’. Coisas que não eram necessárias e que me atiraram para este estado.”

O período de recobro não foi fácil, “quando reparei que a pele da perna estava queimada, onde tinha os pontos, e a veia do braço rebentou pela administração de tantos medicamentos por via intravenosa, que me causava muitos vómitos, dor de cabeça e tensão baixa de tanta medicação. E as dores mantinham-se muito fortes.

Apesar de tudo, pensei sempre que não me podia entregar à dor e que tinha de lutar, tentei começar a caminhar com o andarilho mas não tinha forças. Ao quinto dia, notei que não sentia a zona vaginal, o intestino grosso não funcionava e a perna estava muito inchada, mas diziam que era normal.”

No dia 23 de Dezembro de 2020, recebeu alta do Hospital e iniciou o tratamento de fisioterapia e de drenagem numa clínica a 26 de Dezembro em Lisboa com transporte pago pela Seguradora.

“O fisioterapeuta tentou sempre fazer o seu melhor, mas chegou Abril sem sucesso. Nunca me mandarem fazer exames pós-operatórios, e supostamente a vida que iria ter de volta estava pior do que antes de ser operada.

Não conseguia baixar, calçar, tomar banho sozinha ou sequer andar sem o andarilho, e apenas passados alguns meses é que passei para muletas.

Continuava com a perna inchada, gelada, e sem sensibilidade no baixo ventre. Para tudo tinha de ter auxílio, que me foi prestado pelos meus sogros, durante quase 2 anos.”

Os tratamentos na clínica não melhoraram o seu estado de saúde. “Até as viagens eram um suplício, porque não tinha posição para a perna, e o taxista, um senhor extraordinário de 70 anos, praticamente levava-me ao colo.

A Tânia estava morta. Morta. A ponto do fisioterapeuta me recomendar apoio psicológico, algo que nunca me foi receitado, e de enviar cartas para a médica a solicitar a alteração ao tipo de tratamento porque não havia melhoras.”

Recorreu a tratamento psicológico particular, mas como se tudo isto não fosse suficiente, em Maio de 2021 começou a sofrer de vários problemas de estômago e intestino delgado, “o que de novo me atirou para uma situação debilitante, a ter de tomar 1grama de ferro por via intravenosa, tratamento que ficava por 500 euros, mais uma vez do meu bolso.

Cheguei a fazer um exame com uma cápsula gástrica para ver se tinha problema mais grave ou algum cancro, mas foi-me diagnosticada uma ‘dispepsia disfuncional do estômago’, uma vez que tinha emagrecido muito e repentinamente, pesava 43kg, o que levou ao encolhimento do estômago. E com tudo isto as minhas poucas poupanças desapareceram.”

E o pesadelo continua…

Em Julho de 2021, e apesar dos problemas que apresentava ao fim de sete meses de recuperação, a médica que efectuou a operação optou por dar-lhe alta. “Deu-me 40% de capacidade, com a qual afirmava que eu podia voltar a trabalhar, embora sem fazer

esforços. Fiquei arrasada, chorei, supliquei, tive de entrar em guerra com ela. Hoje acuso-a de bullying. Foi de tal ordem que a minha entidade patronal me enviou para duas novas consultas de Medicina do Trabalho, forma a comprovar que eu não estava apta a regressar ao serviço.”

Mais uma vez, em desespero Tânia Mota marcou e pagou uma consulta e um RM num médico privado. “Só o exame custou 600 euros, para me dizerem que tudo tinha sido feito de forma errada.”

Também as consultas de Medicina de Trabalho não correram bem, com o médico a escrever um relatório em papel que não foi aceite pela Seguradora, “porque nem se percebia o que escrevera. Foi preciso uma outra consulta para o médico enviar o relatório por email. Mas disso resultou voltar aos tratamentos e transporte pago, 40% pela Seguradora e o resto pela minha entidade patronal.”

A 31 de Agosto, volta a ser avaliada por outro médico, “agora um especialista do joelho”, em substituição da médica que estava de férias, médico que lhe voltou a diagnosticar 100% de incapacidade total por parte da seguradora. “Regressei à fisioterapia e hidroterapia pagos, assim como o transporte pela seguradora.”

No entanto esta ‘boa sorte’ seria de curta duração, e em nova consulta a 23 de Setembro, “agora com um especialista do ombro”, é dada como curada da ruptura do labrum, “mesmo quando era visível que tinha a perna inchada anca, defeituosa e desnivelado e um alto ao nível lombar, a perna esquerda com um desnível e o joelho fora do local”.

Ao ouvir o diagnóstico, Tânia Mota não ficou em silêncio “e disse-lhe que fora vítima de negligência médica, mas ele mandou-me calar, acusou-me de não saber o que era uma negligência médica, que não estava boa da cabeça”.

Com este ‘novo’ diagnóstico, “o médico deu-me 30% de capacidade para voltar ao trabalho, tirou-me os tratamentos de um dia para o outro, nem avisando a clínica onde eu andava.

Supliquei, disse que não estava curada, e se calhar para não me ouvir mais, mandou-me para uma consulta de Danos Corporais.”

Esta consulta decorreu em Outubro de 2021, com nova avaliação “e onde estranharam não ter sido feita qualquer RM pós-operatória, e mandaram-me fazer outra”, que apresentou em nova consulta de Danos Corporais a 9 Novembro de 2021.

“Nessa altura o médico disse-me que a lesão estava pior, precisando de mais tratamento, mas que tinha ordem explícita da Seguradora para me dar alta, com desvalorização, porque eu já estava boa, e foi o que fez apesar do estado em que fiquei frente a ele a chorar e a perguntar se ia com 34 anos ficar deficiente.

Limitou-se a levantar-se da cadeira e pedir-me para sair do consultório, que o meu assunto seria tratado na recepção.”

Luta prossegue em tribunal

A entidade empregadora, consciente da situação, enviou Tânia Mota para nova consulta de Medicina de Trabalho, que me deu como ‘inapta para o trabalho’ em Novembro de 2021, mas a Seguradora, a quem tanto escrevi a pedir para retomar os tratamentos, respondia sempre pela negativa.”

A partir desta data o processo deu entrada oficialmente no Tribunal de Trabalho de Almada, e com isso, seria submetida a várias Juntas Médicas no Instituto de Medicina Legal, ortopédicas e até avaliação psiquiátrica.

“E tive de repetir algumas, necessitando de ser acompanhada por um médico pago à hora, mais uma vez, do meu bolso. E obtinha sempre o mesmo ‘diagnóstico’: eu é que estava a ser teimosa, estava curada. Com isto, atribuíram-me 3% de incapacidade numa escala de 0 a 5%.

A nível psiquiátrico, afirmaram que fiquei com um trauma do acidente de trabalho; quanto à parte ortopédica, ainda não sei a valorização total, pois a Seguradora não quer contabilizar os danos na zona lombar e cervical.”

Em Janeiro de 2022, sem tratamentos, “pesava 38 kg e o meu corpo regrediu. Em Março, comecei a sentir uma dormência nos braços que me retirava toda a força.”

Nova consulta e novos exames revelaram ainda piores notícias. “Tinha o disco L5/SI da zona Lombar totalmente gasto e desidratado, e criado um angioma assintomático ósseo (Tumor). Em suma, a minha coluna estava perdida.”

Com a alta atribuída pela Seguradora, sem direito a consultas, “optei por pagar mais uma consulta, desta feita no Hospital da CUF, com um especialista da anca, que me disse claramente só ter dois caminhos: aguardar pela decisão do Tribunal, e ficar em cadeira de rodas para o resto da vida, ou arranjar forças e dinheiro e iniciar com a fisioterapia e a hidroterapia.Oito meses sem tratamento, levaram a perder as poucas melhorias que tinha conseguido.”

Apesar das notícias, decide não baixar os braços e em Janeiro de 2022 avança com uma queixa contra os três médicos, na Ordem dos Médicos e no Tribunal Judicial da Comarca de Almada, e apresentou também o seu caso a várias entidades como à Ministra da Saúde.

No entanto, dois anos decorridos, não tem qualquer informação sobre a queixa nem dos processos judiciais interpostos. “Todos responderam que iam entrar em averiguações, mas não sei mais nada até à data de hoje. Até o advogado a que recorreu para a representar “não responde aos meus emails nem telefonemas.”

Solidariedade de amigos ajuda, mas é insuficiente

Decidida a tentar recuperar parte da mobilidade, recorreu às redes sociais e aos amigos “que criaram uma onda de solidariedade para tentar ajudar ao pagamento dos tratamentos de fisioterapia, hidroterapia e pilates clínico, tudo o que é essencial para que não fique o resto da vida em cadeira de rodas ou pior”.

Foi criada uma página no Facebook ‘Ajudar Tânia Mota na sua Doença’, onde os interessados podem conhecer toda a situação, bem como a forma de ajudar, assim como as iniciativas já realizadas, como o espectáculo solidário que teve lugar no dia 18 de novembro de 2023, na Sociedade Filarmónica Operária Amorense (SFOA), na Amora.

Para fazer face aos elevados custos “também tive de vender muitas das minhas coisas, que fui conseguindo ao longo de uma vida de trabalho, mas são meras coisas, a minha saúde é mais importante. Esse meu ‘outro mundo’ acabou.”

As consultas de avaliação decorrem actualmente num hospital público, sob indicação da Médica de Família.

“Agora vivo da ajuda de amigos, a quem tenho muito a agradecer, mas também a desconhecidos, que se têm comovido com a minha luta. Mas ainda preciso de anjos, porque os tratamentos são muito caros, e há a luta jurídica pela frente, e um advogado é muito caro para me aconselhar.”

A esperança de Tânia Mota, além dos tratamentos de fisioterapia e hidroterapia, está “numa clínica espanhola onde me podem dar uma resposta definitiva sobre a minha condição. Mas não tenho verba para lá ir.

Cada um sofre à sua maneira, e cada um processa a dor como acha correcto. Eu só quero ‘arrumar a casa’, e seguir em frente, porque acho que não mereço tudo o que passei nestes três anos e seis meses, e sobretudo, a falta de respostas por parte do Estado e da Justiça, apesar das cartas que já enviei até para o Governo.

Sinto que não vou aguentar muito mais, não tenho forças, bati no fundo do poço. Grito por ajuda a quem me devia ajudar, porque toda a vida descontei e cumpri os meus deveres, e todos me viram a cara. Sou uma vítima, mas não tenho direitos.

Só quero uma sentença justa, uma condenação a quem não sabia o que estava a fazer e ir para uma boa clínica de reabilitação, sempre foi isso que pedi ao Tribunal nas audiências e cartas enviadas. Fiquei deficiente por causa do tempo de espera e de resposta da nossa Justiça.”

Nota da redação: O que reproduzimos nesta entrevista não reflete a totalidade dos procedimentos médicos pelos quais passou Tânia Mota nestes três anos e seis meses, devido à sua extensão.

O Diário do Distrito contactou também a Ordem dos Médicos, o Tribunal Judicial da Comarca de Lisboa, – Juízo do Trabalho de Almada e o advogado de Tânia Mota, no dia 6 de Dezembro, via email, sem que até hoje tenhamos obtido resposta de qualquer das entidades.


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