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PCP acusa Parlamento Europeu de ‘instigar à guerra’ e promover o anti-sovietismo

Num comunicado publicado esta quarta-feira, o PCP responde à aprovação da resolução do Parlamento Europeu de «Reconhecimento da Federação Russa como um Estado patrocinador do terrorismo».

A resolução foi proposta pelo Grupo dos Conservadores e Reformistas Europeus, e foi aprovada por 494 votos a favor, 58 contra e 44 abstenções, com os dois deputados europeus do PCP, João Pimenta Lopes e Sandra Pereira, a votarem contra.

Para o Partido Comunista Português, esta resolução «integra-se na política de confrontação e guerra que tem vindo a ser promovida na Europa, visando o seu agravamento e prolongamento».

Como tem vindo a fazer, desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, o PCP aponta como responsáveis pela situação «o Senado e a Câmara de Representantes dos EUA e a Assembleia Parlamentar da NATO, entre outras entidades» e frisa que tal decisão «instiga à continuação da guerra; visa obstaculizar, ou mesmo impossibilitar, o necessário diálogo com vista à resolução pacífica do conflito; e anima o prosseguimento da política de confrontação, cerco e isolamento da Rússia, dificultando possíveis entendimentos entre as partes e o apaziguamento e normalização das relações no plano internacional».

O PCP indica ainda como exemplo Cuba, ao referir que «o Parlamento Europeu procura, assim, seguir os passos dos EUA que proclamam, à margem das Nações Unidas e do direito internacional, ditos “estados patrocinadores do terrorismo”, como o fez a administração norte-americana, presidida por Donald Trump, relativamente a Cuba, em 12 de Janeiro de 2021» e recorda que «os EUA mantiveram até 2008 na sua dita “lista de terroristas” o ex-Presidente da África do Sul, Nelson Mandela.»

Por outro lado, critica o facto de que «no seu cínico afã, o Parlamento Europeu feche os olhos à ilegal ocupação de territórios da Palestina e à opressão do povo palestiniano por parte de Israel, à guerra no Iémen, às guerras dos EUA, da NATO e dos seus aliados contra a Jugoslávia, o Iraque, o Afeganistão, a Líbia ou a Síria, e o seu rol de morte, sofrimento, destruição e milhões de deslocados e refugiados».

Relativamente ao documento, o PCP aponta os «aspectos profundamente negativos», entre eles «o intuito de atribuir um pretenso e ilegal carácter extraterritorial à política de confrontação e guerra, que o Parlamento Europeu procura fomentar, ao solicitar à Comissão e aos Estados-Membros que considerem possíveis medidas contra países terceiros que tenham uma posição própria sobre o relacionamento com a Rússia e as sanções impostas pela UE, apelando abertamente e de forma inaceitável à pressão e chantagem sobre estes países».

Acusam também o Parlamento Europeu «de impor um pensamento único quanto ao conflito na Ucrânia – às suas causas, responsáveis e caminhos que se exigem –, assim como de reescrever a história, promovendo o anti-sovietismo e branqueando o fascismo».

A «instigação da guerra, a deriva militarista, a espiral de sanções impostas pelos EUA, a União Europeia e a NATO estão a provocar uma séria deterioração da situação económica e social, com a desenfreada especulação, o vertiginoso aumento dos preços da energia, dos alimentos e de outros bens de primeira necessidade» refere também o PCP.

Para o PCP «é urgente que os EUA, a NATO e a União Europeia cessem de instigar e alimentar a guerra na Ucrânia e que se abram vias de negociação com os demais intervenientes, nomeadamente a Federação Russa, visando alcançar uma solução política, a resposta aos problemas de segurança colectiva e do desarmamento na Europa, o cumprimento dos princípios da Carta da ONU e da Acta Final da Conferência de Helsínquia», continuando a defender «o diálogo com vista à paz, olhando às causas do conflito, e não instigar e alimentar uma escalada de consequências imprevisíveis, para o que esta resolução, e o caminho que aponta, contribui».


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