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Partido Comunista acusa grupos económicos de “ganharem com guerra”

O PCP acusou hoje os grandes grupos económicos de estarem “a ganhar à custa dos sacrifícios” dos portugueses e pediu uma “investigação rigorosa” sobre as margens especulativas e os mecanismos de formação de preço.

Em declarações aos jornalistas na Assembleia da República, Bruno Dias abordou os números hoje enviados pela Galp à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), que indicam a obtenção de um lucro de 608 milhões de euros nos primeiros nove meses do ano, o que representa uma subida de 86% face ao mesmo período do ano passado.

Para o deputado comunista, estes números “são mais uma demonstração daquilo que o PCP tem vindo a alertar”, designadamente que “há grupos económicos que estão a ganhar à custa dos sacrifícios da imensa da maioria do povo português e das micro, pequenas e médias empresas”.

O deputado do PCP referiu que o setor energético “nunca teve, como tem tido nestes últimos meses, lucros, até imprevistos para as próprias administrações”, e defendeu a necessidade de uma investigação sobre o assunto.

“Nós precisamos de averiguar e que haja uma investigação rigorosa sobre as margens especulativas que têm vindo a ser praticadas ao longo deste tempo, e verificar inclusivamente no que diz respeito aos mecanismos de formação do preço”, sublinhou.

Interrogado sobre quem é que poderia fazer essa investigação, Bruno Dias respondeu que “o próprio Governo PS reconheceu que essa necessidade existia”.

“A Assembleia da República aprovou uma recomendação do PCP no sentido de que essa questão fosse suscitada no contexto da UE (…) e dos países que concorrem para que funcionem essas plataformas de formação de preços”, referiu.

Segundo Bruno Dias, essa investigação permitiria perceber como é que “se chega àqueles valores e àquelas cotações que, depois, concorrem para que haja estas margens brutas de refinação em dólares por barril que são verdadeiramente escandalosos”.

Além desta investigação, o deputado comunista reiterou a necessidade de se tomarem “medidas concretas”, como o controlo e fixação de preços, a tributação de lucros extraordinários ou “o controlo público” de setores estratégicos.

Questionado se, dadas as regras impostas pela União Europeia (UE), considera que essas vias são verdadeiramente um caminho que o Governo pode seguir, Bruno Dias respondeu que “esse é precisamente o problema”.

Na ótica do deputado do PCP, “Portugal tem de defender principalmente o seu desenvolvimento, a soberania e uma política que defenda o interesse nacional, e não é isso que está a acontecer”.

“Tem de haver uma viragem, uma outra política no nosso país, fazendo frente às grandes potências da UE e ao poder económico que, de facto, domina as opções políticas da União Europeia”, defendeu.

A Galp obteve um lucro de 608 milhões de euros, nos primeiros nove meses do ano, o que representa uma subida de 86% face ao mesmo período do ano passado, e de 187 milhões no terceiro trimestre, mais 16%.


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