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Volkswagen admite cortes profundos e enfrenta “encruzilhada histórica”

O Grupo Volkswagen enfrenta um dos períodos mais desafiantes da sua história recente, com uma profunda reestruturação em perspetiva que poderá incluir até 100 mil despedimentos e o encerramento de fábricas na Alemanha.

O Grupo Volkswagen está a enfrentar fortes pressões económicas e operacionais, levando os principais acionistas a defender medidas urgentes para garantir a competitividade da fabricante automóvel alemã.

Em comunicado, o presidente do conselho de administração da Porsche SE, Hans Dieter Pötsch, considerou que a Volkswagen se encontra numa “encruzilhada histórica”, alertando que as decisões tomadas nos próximos meses serão determinantes para o futuro da empresa.

Também Johannes Lattwein, membro da administração da Porsche SE, sublinhou a necessidade de reduzir custos, eliminar excesso de capacidade produtiva e reforçar a capacidade de decisão e execução do grupo.

Em cima da mesa está um plano de reestruturação de grande dimensão, que poderá resultar na eliminação de até 100 mil postos de trabalho ao longo dos próximos anos. Segundo informações avançadas pela Reuters, já foi alcançado um acordo para a redução de cerca de 50 mil empregos, podendo seguir-se uma nova ronda de cortes.

Além dos despedimentos, existe igualmente a possibilidade de encerramento de quatro fábricas na Alemanha, embora estas medidas enfrentem resistência do estado da Baixa Saxónia, que detém cerca de 20% da empresa, e dos representantes dos trabalhadores.

O sindicato IG Metall já manifestou oposição a eventuais ataques aos direitos laborais e ao modelo de cogestão da empresa, defendendo que a administração deve concentrar-se em melhorar a competitividade dos produtos e das tecnologias da marca.

A Volkswagen enfrenta atualmente uma conjuntura difícil, marcada pela crescente concorrência dos fabricantes chineses, pela desaceleração das vendas em mercados estratégicos como a China e os Estados Unidos e pelas exigências associadas à transição energética.

Na primeira metade do ano, o grupo registou uma quebra de 8,4% nas vendas e uma descida de 30,7% nos lucros, números que reforçam a pressão para avançar com medidas de reestruturação.


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