Vice-presidente suspende mandato e abre crise política na Câmara de Beja
Liliana Cabecinha, vice-presidente da Câmara Municipal de Beja e número dois da coligação Beja Consegue, terá decidido suspender o mandato na sequência de divergências com o presidente Nuno Palma Ferro. A situação ameaça abalar a estabilidade do executivo municipal e relança o debate em torno do entendimento político estabelecido com a CDU.
A liderança da Câmara Municipal de Beja enfrenta o seu momento mais delicado desde o início do atual mandato. Liliana Cabecinha, vice-presidente da autarquia e uma das principais figuras da coligação Beja Consegue (PSD/CDS-PP/IL), terá decidido suspender o mandato, numa decisão que pode provocar uma crise política no executivo liderado por Nuno Palma Ferro.
Segundo informações avançadas por órgãos de comunicação regionais, a suspensão do mandato surge na sequência de divergências profundas e de longa data entre a vice-presidente e o presidente da Câmara. A deterioração da relação política entre ambos terá vindo a acentuar-se ao longo dos últimos meses.
No centro da discórdia estará a solução governativa encontrada após as eleições autárquicas de 2025. Apesar de a coligação Beja Consegue ter vencido as eleições, não conseguiu maioria absoluta, o que levou à celebração de um entendimento político com a CDU para garantir estabilidade governativa no município.
Esse acordo permitiu ao vereador comunista Vítor Picado assumir pelouros e integrar o executivo em regime de permanência, numa solução considerada inédita e pouco comum no panorama autárquico português, ao juntar uma coligação de direita e a CDU na mesma governação municipal.
De acordo com as fontes citadas, Liliana Cabecinha terá manifestado discordância em relação ao peso e à influência da CDU na gestão da autarquia. Alegadamente, a vice-presidente não concordava com a crescente proximidade entre a liderança da coligação vencedora e os eleitos comunistas.
A confirmar-se em definitivo, a suspensão do mandato representa um duro golpe para o projeto político que conduziu Nuno Palma Ferro à presidência da Câmara de Beja. Cabecinha não era apenas vice-presidente, mas também uma das figuras centrais da candidatura e uma das principais protagonistas da estratégia que permitiu à coligação conquistar a autarquia.
A situação poderá agora abrir um período de instabilidade política num executivo que tem procurado apresentar o entendimento entre a coligação Beja Consegue e a CDU como uma solução de estabilidade para o concelho.
Para já, mantém-se a expectativa sobre uma eventual confirmação oficial da suspensão do mandato e sobre os efeitos políticos que esta decisão poderá ter na governação municipal dos próximos meses.
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