Viana acelera a corrida europeia ao mar
Viana do Castelo recebeu parceiros e especialistas de oito países europeus para discutir a economia do mar, num encontro que reforça o posicionamento do concelho na economia azul e no desenvolvimento de soluções ligadas à aquacultura e à energia eólica offshore.

Viana do Castelo voltou a colocar o mar no centro da sua estratégia de futuro ao acolher o Olamur Consortium Meeting, iniciativa que reuniu parceiros e especialistas de oito países europeus para debater os caminhos da economia azul, com foco na inovação, na sustentabilidade e na utilização partilhada do espaço marítimo.
O encontro, integrado num projeto europeu financiado pela União Europeia, serviu para aprofundar o debate em torno de uma nova relação entre ciência, indústria, tecnologia e território. Ao longo da iniciativa, os participantes cumpriram um programa com reuniões de trabalho e visitas técnicas, incluindo passagens pela Ocean Winds e por unidades de aquacultura em Vigo, antes da sessão promovida em Viana do Castelo com parceiros do projeto e várias entidades interessadas nesta área.
Na sessão de boas-vindas, o presidente da Câmara Municipal de Viana do Castelo, Luís Nobre, sublinhou a relevância desta plataforma para responder aos desafios que hoje se colocam à economia do mar. O autarca defendeu que o concelho tem vindo a afirmar-se a nível regional e nacional neste setor e apontou a governação local, os agentes económicos, as empresas, a academia e a transferência de conhecimento como pilares decisivos para abrir caminho a novas atividades ligadas ao mar.
Luís Nobre considerou ainda que iniciativas deste género ajudam a criar confiança em tempos de incerteza, por permitirem o contacto direto com parceiros mais avançados nestas matérias e por abrirem espaço à procura de soluções assentes em informação técnica e racional. O presidente da autarquia destacou também a importância dos contributos das entidades regionais e das empresas para consolidar o papel de Viana do Castelo num processo que descreveu como estando em maturação e à procura de parceiros capazes de reforçar esse posicionamento.
No centro deste encontro está o OLAMUR, projeto de quatro anos que aposta na aquacultura de baixas bacias tróficas em ambiente offshore e em cenários de uso múltiplo do espaço marinho. A iniciativa está alinhada com a Missão Oceano da União Europeia, com a Lei Europeia do Clima e com a estratégia para uma economia azul sustentável, defendendo um modelo circular e neutro em carbono, capaz de conciliar atividade económica com proteção ambiental.
O consórcio é coordenado pelo Instituto de Investigação Marinha da Noruega e junta 25 parceiros de oito países da Europa, entre pequenas e médias empresas, universidades, institutos de investigação e tecnologia, organizações não governamentais e parceiros da indústria. Esta diversidade de entidades permite cruzar competências em áreas como ciência ambiental, meteorologia, robótica, tecnologia eólica e aquacultura.
Portugal participa neste processo mediante Viana do Castelo, que surge como Região Associada no âmbito do projeto LowAWind. O objetivo passa por avaliar a viabilidade da combinação entre aquacultura de baixo nível trófico e energia eólica offshore flutuante na costa noroeste portuguesa, tendo como referência o parque eólico WindFloat Atlantic.
Entre as prioridades definidas estão a avaliação das condições técnicas, regulamentares, económicas e ambientais para sistemas offshore multiusos, a análise da viabilidade comercial da aquacultura de baixo nível trófico na região, o envolvimento das comunidades locais e da cadeia de abastecimento regional, a promoção do desenvolvimento multiusos em Viana do Castelo e a criação de um roteiro que possa orientar futuras atividades conjuntas entre aquacultura e energia eólica no mar.
Com este encontro, Viana do Castelo reforça a ambição de se afirmar como um dos territórios mais atentos à transformação da economia do mar, numa altura em que a competitividade das regiões costeiras passa cada vez mais pela capacidade de ligar conhecimento, investimento e sustentabilidade.
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