Montijo

Vereadores do Chega contra – Cultura domina sessão do Montijo

A cultura dominou a reunião de Câmara do Montijo, marcada por mais de uma hora e meia de debate em torno do protocolo de apoio à Companhia Mascarenhas & Martins, no valor anual de 180 mil euros até 2030. O Chega votou contra a proposta, criticando o investimento municipal na área cultural, enquanto o executivo liderado por Fernando Caria defendeu a importância da Companhia como referência artística e educativa no concelho.

Antes da ordem de trabalhos, os vereadores do Montijo votaram por unanimidade um voto de pesar pela morte de Avelino Antunes, deputado municipal e ex-presidente da Associação de Agricultores do Distrito de Setúbal. Mas foi a cultura que esteve em destaque, com mais de hora e meia de debate, com os autarcas do Chega a votarem contra o protocolo entre a Câmara e a Companhia Mascarenhas & Martins.

Na sessão camarária de 13 de maio houve um aceso debate entre os vereadores do Chega e os restantes autarcas. O voto de pesar a Avelino Antunes foi aprovado por unanimidade.

Estado de graça

Em jeito de aviso o vereador Nuno Valente, do Chega, fez uma declaração sobre o balanço dos seis meses de governação do atual Executivo destacando “o período do estado de graça acabou”, mas o Montijo “continua ao abandono e os recursos humanos apenas funcionam a nível das chefias e do pagamento de avenças” e destaca “não podemos continuar assim”, lembrando “com seis meses decorridos não estamos melhor em relação à descentralização pelas freguesias”. O autarca do Chega destaca “o estado de degradação da rede viária e a recolha do lixo continua a ter reclamações”.

O presidente Fernando Caria, do Movimento “Montijo com Visão e Coração” informou os vereadores “abrimos concurso para reparar as viaturas avariadas e, entretanto” vamos remediando e no dia 13 de maio “já houve uma recolha mais atempada e está tudo a voltar à normalidade”.

O sucesso da Feira do Livro

O vereador Ilídio Massacote fez o balanço da 1.ª Feira do Livro, que contou com a participação de duas dezenas de editoras e elevada presença da população, das escolas e da Universidade Sénior.

A vereadora Céu Simões agradeceu “aos alunos que organizaram a 1.ª Feira do Livro” e o evento voltará no próximo ano.

PDM e Vinhos

O vereador do PSD lembrou que o Plano Diretor Municipal (PDM) “está na fase de consulta pública e a aguardar despacho da CCDR para proceder à ratificação da Assembleia Municipal no 2.º semestre deste ano. O autarca social-democrata apelou aos vereadores da Oposição “façam chegar as vossas propostas até junho para serem discutidas posteriormente”.

Ainda antes da ordem de trabalhos, o presidente Fernando Caria apresentou uma proposta para que a Câmara apoie com 1500 euros a participação de 23 amostras dos vinhos da Adega de Pegões, que irão participar no concurso em Itália. Os vereadores do Chega abstiveram-se por considerarem que “a verba é insignificante” e “deve ser paga pela adega que fatura milhões”.

O protocolo da discórdia

Mais de uma hora e meia depois foi quanto durou a discussão do protocolo entre a autarquia e a Companhia Mascarenhas & Martins, no montante de 180 mil euros anuais e funcionará até 2030.

O vereador Ilídio Massacote reconheceu a importância do protocolo com elogios à Companhia que “tem contrato com nove trabalhadores, que envolve mais de 134 mil euros em recursos humanos” e destaca também “o trabalho descentralizado desenvolvido com o projeto Ao Lado, levando o teatro às coletividades de Canha, Pegões e Sarilhos e às escolas”.

Nuno Valente, do Chega, confessou “ser um consumidor de arte” e lamentou “o número reduzido de espetadores nos espetáculos”. O autarca sugeriu “a contratação de um promotor cultural para uma melhor aposta nos espetáculos”, porque “temos uma visão mais liberal e as Companhias têm de ganhar ritmo por elas próprias e o espaço terá de ser democratizado para outras Companhias”.

Para o presidente Fernando Caria “isto é um bloqueio à Cultura, que não faz parte dos vossos planos, tal como o Desporto”.

E destacou “se o vereador (Nuno Valente) não quer Cultura no Montijo, nós queremos!”

A Cultura fofinha não é Cultura

Também o vereador Ilídio Massacote lembrou “a Cultura tem que ser livre, sendo um investimento e não uma questão de gosto” e explicou os espetáculos “têm o número de espetadores que o espaço permite”. E garante “nunca fui de esquerda, mas defendo a liberdade porque a Cultura ‘fofinha` não é cultura”.

Nuno Valente considera que “o ativismo vem sempre do mesmo lado e acusam-nos de ameaçar a cultura” e garante “esta cultura de esquerda vai custar mais de um milhão de euros e não quero este ativismo que dura há mais de 52 anos”.

Fernando Caria lembra “há 52 anos bloqueavam a Cultura e o Salazar fazia isso e o seu líder (vereador Nuno Valente) até quer três Salazares”.

Companhia de referência

O social democrata. Pedro Vieira lançou a dúvida “o vereador Nuno Valente não viu a programação anexa à proposta” e garantiu “a política faz parte da vida e aqui estamos a praticar política”. Além dos espetáculos de teatro, música, marionetas, canto e ‘jazz’, a Companhia assegura a segurança e a manutenção do espaço exterior e interior, para além de dar aulas gratuitas de teatro a jovens.

O vereador Carlos Anjos, do Partido Socialista, fez questão de destacar “O Montijo é dos poucos concelhos que tem uma Companhia de referência e garantiu”temos que criar massa crítica e nós ajudamos a fazer esse caminho”.

A proposta foi aprovada por todos os autarcas, com exceção do Chega que votou contra.


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