Opinião

Verdizela e Vila Alegre: pagar como no século XXI, viver como em 1967

Um artigo de opinião de Mauro Santos

A Verdizela e Vila Alegre são símbolos da forma como a Câmara Municipal do Seixal, dominada pela CDU há 50 anos, trata os seus cidadãos: cobra impostos como se estivéssemos no século XXI, mas presta serviços como se ainda vivêssemos em 1967.

A Verdizela, criada nos anos 60, já viu a sua AUGI resolvida e está formalmente regularizada. Mas, no dia a dia, os moradores continuam sem saneamento básico. Pagam IMI, pagaram a sua TRIU vivem numa zona urbana consolidada, mas vivem dependentes de fossas sépticas. É o retrato perfeito do Seixal: regularização no papel, abandono no terreno.

E Vila Alegre é o caso ainda mais gritante. Com alvará de 1967, alterações em 2010 e até autos de receção de infraestruturas, continua num limbo. Uns moradores conseguem licenças, outros não. Uns são bloqueados por condicionantes ambientais, outros veem exceções abertas. Tudo arbitrário, tudo confuso. E, tal como na Verdizela, também aqui o saneamento continua uma miragem.

Isto não são terrenos perdidos no mato. São loteamentos e zonas urbanas consolidadas, com casas legais, registadas e tributadas. Famílias que cumprem as suas obrigações e sustentam o município. O mínimo que exigem é viver com dignidade.

Enquanto isso, em Portugal, segundo o RASARP 2024, 83% dos alojamentos já têm cobertura de rede de águas residuais e a cobertura populacional é entre 94 e 99%. No Seixal, porém, a realidade é bem diferente. Tanto que em 2023 a Simarsul teve de investir quase um milhão de euros apenas para corrigir falhas num interceptor em Corroios; prova de que décadas de governação comunista deixaram as infraestruturas básicas para trás.

E a desculpa? Sempre a mesma: “situações herdadas antes do 25 de Abril”. Mas já passaram 50 anos. É a CDU que governa, é a CDU que cobra impostos, é a CDU que falhou. Verdizela e Vila Alegre não são herança de 1967: são vítimas da incompetência de hoje.

Convém ainda lembrar que nada disto aconteceu no vazio. Durante décadas, alguns dos principais promotores imobiliários do concelho mantiveram uma relação ambígua com a autarquia: ao mesmo tempo em que eram alvo de perseguições políticas, eram também mecenas de obras e eventos municipais. Essa dinâmica, visível sobretudo entre o final dos anos 70 e os anos 90, criou uma espécie de “bar aberto”: a Câmara precisava de receitas e infraestruturas que não conseguia garantir, e os promotores precisavam de manter vivos os seus loteamentos. Essa conivência silenciosa ajuda a explicar parte da irresponsabilidade com que Vila Alegre e Verdizela foram geridas. Só que hoje já não há desculpas: os cidadãos cumprem, pagam e devem exigir.

Como candidato da Iniciativa Liberal, defendo que é hora de acabar com as desculpas. O Seixal precisa de saneamento digno, clareza urbanística e respeito pelos seus cidadãos. Meio século de propaganda e conivências não resolveu os problemas. Está na hora de trocar incompetência por responsabilidade.


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