Ventura quer travar as presidenciais uma semana devido ao mau tempo
André Ventura defende o adiamento da segunda volta das eleições presidenciais por uma semana, alegando falta de condições devido aos efeitos do mau tempo em várias regiões do país.

O candidato presidencial André Ventura, apoiado pelo Chega, defendeu este sábado o adiamento por uma semana da segunda volta das eleições presidenciais, argumentando que os efeitos do mau tempo colocam em causa a igualdade de participação dos eleitores. A posição foi assumida durante um almoço com autarcas do partido, realizado no Algarve.
Segundo o candidato, a dimensão dos danos provocados pela depressão Kristin e pela intempérie dos últimos dias impede a realização normal do ato eleitoral. “Não há condições para ter eleições marcadas e disputadas neste contexto”, afirmou, questionando se faz sentido que “metade do país vote e outra metade não consiga votar”.
A partir de São Bartolomeu de Messines, no concelho de Silves, André Ventura anunciou que irá propor o adiamento ao adversário António José Seguro, ao Presidente da República e às autarquias, defendendo que seja solicitado à Comissão Nacional de Eleições o adiamento da votação para meados de fevereiro. Na sua perspetiva, a decisão seria do interesse de ambos os candidatos e dos eleitores.
A lei atribui à Secretaria Geral do Ministério da Administração Interna a organização do ato eleitoral, cabendo à CNE a fiscalização e a garantia da igualdade entre candidaturas. Já a Lei Eleitoral do Presidente da República apenas prevê o adiamento em assembleias de voto específicas e não a nível nacional, quando ocorre uma calamidade no dia das eleições ou nos três dias anteriores. Nesses casos, a decisão compete ao presidente da câmara municipal ou, nas regiões autónomas, ao representante da República.
Ventura sublinhou que muitas pessoas afetadas pela intempérie enfrentam dificuldades graves, algumas sem acesso a eletricidade, alimentação ou habitação. “Não vamos obrigar pessoas sem teto e sem alimentação a irem votar”, afirmou, defendendo que uma semana de adiamento permitiria garantir condições de humanidade e igualdade no cumprimento do dever cívico.
Na quarta-feira, o candidato adotara uma posição mais cautelosa, afirmando não querer criar instabilidade no processo eleitoral e manifestando a expectativa de que as eleições decorressem com normalidade. Ainda assim, apelou então à participação dos eleitores das zonas mais afetadas.
Este sábado, o tom foi diferente. André Ventura considerou que o país vive “uma das maiores catástrofes da história recente”, defendendo que as pessoas devem estar acima de qualquer cálculo político. Segundo o candidato, em grande parte do território nacional a prioridade não são as eleições, mas sim a resposta às necessidades urgentes provocadas pelo mau tempo.
Segundo os dados conhecidos, 68 concelhos encontram-se em situação de calamidade após a passagem da depressão Kristin, abrangendo 17,1 por cento da população residente e 16,7 por cento do território nacional. Nessas áreas estão inscritos 1.589.165 eleitores, representando 14,4 por cento do total, muitos deles com dificuldades acrescidas no acesso às assembleias de voto.
Ainda este sábado, a Câmara Municipal de Alcácer do Sal, presidida por Clarisse Campos, decidiu adiar as eleições presidenciais no concelho, invocando a situação de calamidade.
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