“Vamos plantar as raízes do Seixal no mundo inteiro”: Manuel Ramos leva a Margem Sul às galas do The Voice Portugal
Crescido entre louvores na igreja, serões musicais em família e batuques na Margem Sul, o jovem cantor representa o concelho do Seixal no talent show da RTP e garante que quer “plantar as raízes do Seixal no mundo inteiro”.

Aos 19 anos, Manuel Ramos fala do Seixal com a mesma certeza com que segura uma guitarra: sem hesitações. “Seixal é a minha terra, onde eu fui criado, cresci e aprendi, portanto porque não vou dizer de onde sou? Se as minhas origens estão aqui!”, afirma. O jovem cantor, agora concorrente do The Voice Portugal e já apurado para as galas em direto, assume que vai repetir sempre que puder: é da Margem Sul. E tem orgulho disso.
A voz que nunca foi “plano de carreira”
Curiosamente, Manuel nunca teve aquele momento clássico de “eu quero ser cantor”. A música foi surgindo, simplesmente.
“Nunca senti o momento de pensar em ser cantor. Sempre levei a minha voz além do que podia, nunca esperando receber algo em troca, apenas porque gostava de cantar. Porém surgiram oportunidades e a oportunidade mais importante foi o The Voice.”
Cresceu numa família muito ligada à música, com domingos festivos, louvores e instrumentos espalhados entre casa dos pais e dos avós. A igreja teve um papel central na sua formação – não só musical, mas também humana.
Louvor, fé e palco
Para Manuel, a música da igreja é muito mais do que apenas música.
“Os louvores não são só músicas, têm um significado muito maior por trás. É uma forma de falar com Deus, é adoração. Um simples louvor pode mudar a vida de uma pessoa para sempre e para melhor.”
Durante quase dois anos, fez parte do coro da igreja. Foi aí que perdeu a vergonha e aprendeu a estar diante de pessoas – mas, sublinha, nunca sentiu que era “ele” a comunicar diretamente com o público.
“A minha forma de comunicação não era o meu ‘eu’ com o povo, mas sim Jesus a usar a minha voz através do louvor para que as pessoas sentissem a presença de Deus. Creio que fui muito usado e um dia ainda vou voltar a ter esse privilégio, ser usado por Deus para fazer bem às outras pessoas.”
Um avô, vários instrumentos e a Margem Sul em fundo
A ligação à música começou cedo, sempre com a Margem Sul como cenário. Com cinco anos, entre estadias em casa dos avós maternos, o avô ensinou-o a tocar guitarra e piano.
“Tinha um pianinho de brincar e uma viola do meu tio. Muitas vezes ficava na casa dos meus avós e foi o meu avô que me ensinou a tocar esses dois instrumentos.”
A bateria veio da igreja: observava o músico e, no fim dos cultos, subia ao púlpito para experimentar. O cajón entrou na vida ainda mais cedo, quase como extensão do próprio corpo.
“Sempre fui muito ligado aos batuques, estava sempre a batucar em algum sítio, na parede, na mesa ou nas minhas pernas. Aos 6 anos o meu pai ofereceu-me um cajón pequeno.”
Hoje, os instrumentos onde mais se foca são o piano e a guitarra – companheiros de ensaios, de composições e das atuações que já o fizeram sair do anonimato seixalense para os grandes palcos televisivos.
De “não liguei” ao clique do tio que mudou tudo
Há dois anos, os amigos quiseram inscrevê-lo no The Voice, mas Manuel nunca levou a ideia muito a sério. “Na verdade, foram os meus amigos que me quiseram inscrever e eu nunca fiz caso deles, então eles também nunca avançaram”, conta.
O clique veio de família – e de novo, da Margem Sul.
“Quando o meu tio me inscreveu eu nem sabia. Ele ligou-me para me pedir umas informações do meu BI e só depois é que me disse que me estava a inscrever no The Voice.”
A reação inicial foi um misto de medo e insegurança.
“Comecei a sentir receio: ‘E se não passar?’, ‘Será que vou longe?’, ‘Será que nem aos castings vou passar?’ Foram inúmeras perguntas. Mas hoje vejo que tudo correu bem e que ele fez uma boa aposta e confiou no meu potencial. E sim, já lhe agradeci muito por ter confiado e apostado em mim.”
Se tivesse de resumir a experiência até agora em três palavras, escolhe: “Sonho, Família e Desafio.”
Tira-Teimas: o nervosismo antes das galas
A fase mais dura até agora foi o Tira-Teimas, confessa. Sabia que só um, em quatro, passaria às galas.
“Foi a fase em que senti mais nervosismo. Só um de quatro podia passar e poder passar por três cantores tão fantásticos e cheios de qualidades, ao mesmo tempo deu-me autoestima e confiança e vontade de ganhar.”
A confiança ganhou rosto num nome: Sara Correia, a mentora que apostou nele.
“Se a Sara Correia acreditou em mim depois de mais três atuações fantásticas e de perder o fôlego, eu quero fazer de tudo para ir mais além e tentar ganhar o The Voice Portugal.”
Bastidores feitos de amizade
Nos bastidores, o que mais o impressionou não foram as câmaras, mas as pessoas.
“O que mais me surpreendeu foi a simpatia, a amizade e o carinho que temos uns pelos outros. Ali é fácil fazer uma amizade e estamos sempre dispostos a ajudar – tanto eu, como a produção, como qualquer mentor e os concorrentes.”
Diz que não é o mesmo Manuel que entrou nas Provas Cegas. Hoje sente-se mais preparado, mais focado.
“Acho que melhorei um bocado mais no controlo e na forma como canto e também mudei a minha forma de pensar em termos do meu futuro musical. Se cheguei até às galas é porque tenho potencial para ir longe e apostar em mim, e acho que daqui para a frente é o que vou fazer: apostar e não desistir.”
Galas, nervos e segredo bem guardado
Com as galas em direto à porta, admite que a ansiedade vai aumentar.
“A partir de agora tudo vai dar mais ansiedade e nervosismo, porque é tudo em direto. A pressão é outra e tem que haver mínimos falhos ou, se possível, zero falhos. Mas vou com calma, vou respirar fundo e tudo vai correr bem.”
Sobre o que está a preparar para as galas, mantém o mistério.
“Ter tenho, mas não quero dar spoiler sobre isso. Fica tudo em segredo, é surpresa.”
Carros, sonhos e um stand com raiz na Margem Sul
Para lá da música, Manuel trabalha por conta própria na compra e venda de carros. E não pretende largar esse lado tão cedo, mesmo que o programa lhe abra outras portas.
“O The Voice pode mudar completamente a minha vida, porém acho que não vou deixar de vender carros. Aliás, o The Voice até me pode ajudar a realizar o meu sonho: abrir um stand de automóveis. Sempre foi um sonho ter um stand de automóveis.”
Um sonho empresarial ancorado, mais uma vez, à Margem Sul, que ele quer ver espelhado no seu percurso público.
“Vamos plantar as raízes do Seixal no mundo inteiro”
Do Seixal para o país inteiro, Manuel não esquece de onde vem, nem para quem canta. A mensagem que deixa é clara:
“Votem em mim, vamos plantar as raízes do Seixal no mundo inteiro.”
Entre os louvores da igreja, os serões em casa dos avós, os batuques no cajón oferecido pelo pai e as ruas do Seixal que o viram crescer, Manuel leva a Margem Sul para o centro do ecrã – e quer provar que há talento, identidade e orgulho em dizer, vezes sem conta: “Sou do Seixal.”

Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt
Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito







