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Urgências mudam e Barreiro fica de fora

A reorganização das urgências de obstetrícia e ginecologia na Península de Setúbal avança visando garantir maior estabilidade e segurança no atendimento às grávidas, numa altura em que a falta de médicos especialistas tem provocado encerramentos frequentes de serviços.

A centralização das urgências de obstetrícia e ginecologia na Península de Setúbal é apresentada pelo Serviço Nacional de Saúde como uma resposta necessária a um sistema que enfrenta dificuldades persistentes. A atual realidade, marcada por serviços que alternam entre períodos de funcionamento e encerramento, é considerada insustentável pela direção executiva do SNS.

Um dos casos mais evidentes desta instabilidade tem sido o do Hospital do Barreiro, onde as limitações na urgência de obstetrícia têm-se repetido ao longo dos últimos meses devido à escassez de médicos especialistas.

Perante este cenário, o novo modelo pretende assegurar o funcionamento permanente de duas das três urgências existentes na península, garantindo uma resposta mais previsível às populações e evitando a sucessão de encerramentos que tem gerado incerteza entre utentes.

A proposta foi apresentada pelo Ministério da Saúde numa reunião que juntou a ministra Ana Paula Martins e os autarcas dos nove municípios da Comunidade Intermunicipal da Península de Setúbal. Apesar das explicações do Governo, os autarcas de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal manifestaram oposição ao encerramento da urgência de obstetrícia e ginecologia do Hospital do Barreiro.

Segundo a direção executiva do SNS, esta reorganização terá caráter temporário e pretende criar condições para atrair mais médicos obstetras para o distrito. O objetivo passa por regressar, quando houver profissionais suficientes, ao modelo considerado ideal, com as três urgências da região em pleno funcionamento.

O modelo será ainda avaliado de seis em seis meses, conforme prevê o decreto-lei que enquadra as urgências centralizadas. Caso a avaliação revele deterioração da resposta prestada às populações, poderão ser introduzidas alterações.

Quanto à futura urgência regional em Almada, a sua entrada em funcionamento não deverá acontecer de imediato. O SNS continua a trabalhar com as unidades hospitalares para definir o momento mais adequado para avançar com o processo.

Paralelamente, o modelo de urgência centralizada que envolve as unidades de Loures, Odivelas e Estuário do Tejo entra em funcionamento na próxima segunda-feira. O serviço ficará instalado no Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.

Já o Hospital de Vila Franca de Xira continuará a assegurar partos programados, consultas de doença aguda e restantes serviços de ginecologia e obstetrícia. O SNS esclarece que não se trata de um encerramento do serviço, mas de uma reorganização das equipas médicas para garantir resposta eficaz na urgência centralizada.

A reorganização das urgências de obstetrícia volta assim a colocar no centro do debate público o acesso aos cuidados maternos e a falta de especialistas no sistema de saúde, uma realidade que continua a pressionar os hospitais em várias regiões do país.


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