Urgências fecham e 14 autarcas avançam
Catorze autarcas da Área Metropolitana de Lisboa unem posições contra o fecho de urgências hospitalares, numa contestação que começou na Península de Setúbal e que já se estendeu a outros concelhos da região. Em causa estão os encerramentos das urgências de Ginecologia-Obstetrícia no Barreiro e em Vila Franca de Xira, com os serviços a serem concentrados noutras unidades.
A contestação ao fecho de serviços de urgência hospitalar na Grande Lisboa ganhou nova dimensão e junta agora 14 autarcas da Área Metropolitana de Lisboa, que preparam uma resposta conjunta contra uma decisão do Governo que provoca forte inquietação entre os municípios afetados.
O foco inicial da polémica surgiu na Península de Setúbal, onde os presidentes de Câmara de nove concelhos mobilizaram-se contra o encerramento da urgência de Ginecologia-Obstetrícia do Hospital de Nossa Senhora do Rosário, no Barreiro. A reorganização prevê a concentração desta valência no Hospital Garcia de Orta, em Almada, cenário que levanta sérias dúvidas sobre a capacidade de resposta da unidade que passa a receber mais utentes.
Entretanto, o protesto alargou-se a outros territórios de Lisboa e Vale do Tejo, depois de mais cinco autarcas se juntarem à contestação. Também aqui está em causa o encerramento da mesma valência no Hospital de Vila Franca de Xira, cujos serviços foram transferidos para o Hospital Beatriz Ângelo, em Loures.
Os autarcas alertam para consequências diretas no acesso das populações aos cuidados de saúde, defendendo que a concentração das urgências em menos unidades poderá provocar sobrecarga dos hospitais que permanecem em funcionamento, maiores dificuldades de acesso e um agravamento dos tempos de resposta.
A preocupação não se limita aos concelhos onde os hospitais estão localizados. Na Península de Setúbal, os municípios entendem que a decisão tem efeitos em toda a região, uma vez que altera o equilíbrio da resposta hospitalar e afeta a proximidade dos cuidados prestados às populações. Para os responsáveis autárquicos, esta mudança representa uma perda de capacidade do Serviço Nacional de Saúde e um retrocesso no acompanhamento clínico disponível.
A contestação estende-se agora também a Vila Franca de Xira, Azambuja, Alenquer, Benavente e Arruda dos Vinhos, cujos autarcas dizem ter sido confrontados com o encerramento da urgência local, medida que já está em vigor.
Perante este cenário, os 14 autarcas decidiram reunir em Vila Franca de Xira para definir uma estratégia comum. O objetivo passa por concertar formas de pressão política e institucional junto do Governo, numa tentativa de inverter a decisão e reabrir os serviços, entretanto encerrados.
Os responsáveis locais garantem que não desistem da reposição das urgências fechadas e insistem que o acesso aos cuidados de saúde tem de ser assegurado de forma equilibrada e próxima das populações. Numa região densamente habitada e com fortes necessidades de resposta hospitalar, o fecho destas valências é encarado como um sinal de maior vulnerabilidade para milhares de utentes.
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