Urgências de Almada encaminham grávidas e reacendem dúvidas sobre modelo regional
Constrangimentos na Urgência de Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta obrigaram ao encaminhamento de utentes para outras unidades, poucos meses após a reorganização criada para evitar falhas por falta de médicos.
Constrangimentos surgem nas Urgências de Almada
Segundo avançou esta quarta-feira o Observador, a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta, em Almada, registou constrangimentos que obrigaram ao encaminhamento de grávidas para outras unidades hospitalares. A situação ocorre menos de três meses após a entrada em funcionamento da Urgência Centralizada de âmbito regional da Península de Setúbal, criada pelo Governo para reforçar a resposta assistencial e reduzir os encerramentos provocados pela escassez de médicos especialistas.
Este episódio volta assim a colocar em causa a capacidade de resposta do novo modelo, que entrou em vigor com o objetivo de garantir maior previsibilidade no funcionamento das urgências obstétricas da região.
Modelo regional entrou em vigor em abril
A Urgência Centralizada de Ginecologia e Obstetrícia da Península de Setúbal iniciou atividade a 15 de abril de 2026, abrangendo as Unidades Locais de Saúde Almada-Seixal, Arco Ribeirinho e Arrábida.
O Hospital Garcia de Orta, em Almada, passou a funcionar como hospital-sede da urgência regional, assegurando o bloco de partos com apoio perinatal diferenciado. O Hospital de São Bernardo, em Setúbal, manteve a Urgência de Ginecologia e Obstetrícia para a população da sua área de influência, enquanto as três ULS assumiram, em conjunto, a responsabilidade pelo funcionamento do modelo. O objetivo da reorganização consistiu em concentrar recursos humanos e assegurar maior estabilidade na resposta às utentes perante a falta de especialistas.
Escalas continuam sob pressão
A criação da urgência regional surgiu como resposta à dificuldade em preencher escalas médicas e aos sucessivos constrangimentos registados nas maternidades da Península de Setúbal.
De acordo com a informação avançada igualmente pelo mesmo órgão, as escalas das urgências regionais em Almada encontravam-se “no limite” e já tinham registado falhas desde o passado domingo, levando o CODU a reencaminhar grávidas para maternidades da região de Lisboa. Até ao momento, os responsáveis não divulgaram qualquer esclarecimento público da ULS Almada-Seixal ou do Ministério da Saúde sobre os constrangimentos registados esta quarta-feira.
SNS mantém recomendação para contacto prévio
A Direção Executiva do SNS continua, pois, a recomendar que todas as grávidas contactem previamente a Linha SNS 24 antes de se deslocarem a uma urgência obstétrica. A linha faz a avaliação clínica inicial e encaminha cada utente para a unidade hospitalar com capacidade de resposta no momento, procurando evitar deslocações desnecessárias e garantir maior segurança no acesso aos cuidados.
Enquanto não houver uma reação oficial das entidades responsáveis, o episódio desta quarta-feira reacende o debate sobre a capacidade do modelo regional para responder à pressão sentida nas urgências obstétricas, precisamente o problema que a reorganização implementada em abril procurava resolver.
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