DestaqueDistrito de Lisboa
Em Destaque

Urgência em Loures abre sob contestação médica

A criação da urgência regional de obstetrícia e ginecologia no Hospital de Loures, que entra em funcionamento esta quarta-feira, é duramente criticada pelo Sindicato dos Médicos da Zona Sul, que acusa o Governo de avançar sem estudo de impacto e sem negociação com os profissionais.

A reorganização das urgências hospitalares na região de Lisboa e Vale do Tejo provoca contestação entre os médicos. O Sindicato dos Médicos da Zona Sul (SMZS) considera que a criação da nova urgência regional de obstetrícia e ginecologia no Hospital de Loures foi decidida sem avaliação técnica prévia e sem diálogo com os representantes da classe.

Num comunicado divulgado esta terça-feira, a estrutura sindical critica o Ministério da Saúde por avançar com a medida “sem estudo de impacto, com informação contraditória e à revelia dos acordos coletivos de trabalho”, alertando para os riscos que a reorganização pode representar para o funcionamento global do sistema.

A posição do sindicato surge um dia após a Direção Executiva do Serviço Nacional de Saúde (DE-SNS) ter confirmado que a nova urgência regional começa a funcionar esta quarta-feira, garantindo resposta permanente 24 horas por dia.

Segundo a entidade responsável pela gestão do SNS, a abertura desta unidade faz parte de uma estratégia de reorganização das urgências hospitalares da região de Lisboa e Vale do Tejo, procurando concentrar recursos e melhorar a capacidade de resposta.

O sindicato, porém, sustenta que não existe qualquer estudo que avalie as consequências desta reorganização, quer no funcionamento das restantes urgências, quer na qualidade dos cuidados prestados às grávidas.

Na leitura do SMZS, a decisão levanta ainda dúvidas quanto à segurança das equipas médicas e à estabilidade das escalas de trabalho, sobretudo num contexto marcado pela escassez de especialistas em obstetrícia e ginecologia.

A organização sindical sublinha que alterações estruturais no funcionamento das urgências hospitalares deveriam ser sempre precedidas de avaliações técnicas rigorosas e de negociação com os profissionais envolvidos.

Além disso, acusa o Governo de avançar com a medida sem respeitar os acordos coletivos de trabalho em vigor, o que considera representar uma violação dos direitos dos médicos.

O sindicato alerta igualmente que a falta de especialistas nesta área continua a ser um dos principais problemas do sistema hospitalar e teme que a reorganização das urgências possa agravar dificuldades já existentes nos serviços de obstetrícia e ginecologia.

Perante este cenário, o SMZS garante que continuará a acompanhar o processo e admite recorrer a todas as formas de luta sindical para defender os direitos dos médicos e a qualidade dos cuidados prestados no Serviço Nacional de Saúde.


Se tiver sugestões ou notícias para partilhar com o Diário do Distrito, pode enviá-las para o endereço de email geral@diariodistrito.pt


Sabia que o Diário do Distrito também já está no Telegram? Subscreva o canal.
Já viu os nossos novos vídeos/reportagens em parceria com a CNN no YouTube? Inscreva-se no nosso canal!
Siga-nos na nossa página no Facebook! Veja os diretos que realizamos no seu distrito

fertagus