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Um terço dos portugueses com depressão demora mais de um ano a procurar ajuda

TRD Patient Voice revela atrasos no diagnóstico e impacto significativo da doença na vida pessoal e profissional.

Estudo com foco na depressão dos portugueses

Um terço das pessoas com depressão em Portugal demorou mais de um ano a procurar apoio profissional desde o início dos sintomas, revela o estudo TRD Patient Voice. A iniciativa, promovida pela Familiarmente em parceria com a Johnson & Johnson Innovative Medicine e a MOAI Consulting, procurou compreender a experiência diária de quem vive com a doença.

O estudo mostra que o caminho até ao diagnóstico é frequentemente lento e pouco linear, com barreiras de acesso que agravam o quadro clínico. Apenas 34% dos inquiridos considerou fácil identificar a quem recorrer no início dos sintomas. Mais de metade dos portugueses recebeu o diagnóstico de depressão há mais de 10 anos, enquanto 27% o obteve nos últimos cinco anos.

Baixa literacia em saúde mental

Segundo os dados, 60% das pessoas alterou a medicação antidepressiva duas ou mais vezes, evidenciando a natureza prolongada e recorrente da depressão, com fases de remissão e recaída. No momento do diagnóstico, 42% dos participantes afirmou ter baixo ou muito baixo conhecimento sobre a depressão, e apenas 22% indicou um nível elevado de compreensão. A literacia limitada contribui para atrasos na procura de ajuda e aumenta sentimentos de confusão e estigma.

Profissionais de saúde são a principal fonte de informação para 83% dos inquiridos. Paralelamente, 40% recorre a motores de pesquisa e sites de saúde, enquanto 10% utiliza inteligência artificial e 6% consulta redes sociais para obter informações sobre a doença.

Impacto pessoal e social

A depressão afeta fortemente o quotidiano dos doentes. Por exemplo, 72% reportou prejuízos na vida profissional ou académica, cerca de 60% refere impacto na condição económica, e aproximadamente 40% sente alterações nas relações familiares e sociais. No meio laboral, 29% ocultou o diagnóstico por receio de discriminação.

Os dados revelam um sofrimento psicológico grave. Cerca de 36% admitiu pensamentos de morte ou automutilação nos 14 dias anteriores ao questionário, e 29% já tentou magoar-se em algum momento da vida. Estes indicadores reforçam a necessidade de acompanhamento clínico continuado e monitorização do risco.

TRD Patient Voice: dar voz às pessoas com depressão

Importa também referir que o TRD (Treatment-Resistant Depression) refere-se a casos em que a depressão não responde a pelo menos duas abordagens terapêuticas antidepressivas. Embora o estudo não se tenha limitado a doentes com TRD, o projeto procurou compreender a vivência das pessoas com depressão persistente ou de difícil manejo.

Portanto, o TRD Patient Voice pretendeu ir além dos números clínicos, dando visibilidade ao impacto real da depressão em Portugal. Foram ouvidas 298 pessoas, permitindo compreender as experiências de quem enfrenta depressão persistente ou de difícil tratamento.


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