
O Conselho de Administração da Unidade Local de Saúde do Arco Ribeirinho (ULSAR) reconhece constrangimentos na capacidade de resposta hospitalar devido à permanência de dezenas de doentes que já tiveram alta clínica, mas continuam internados por motivos sociais.
Num esclarecimento enviado ao Diário do Distrito, na sequência de uma notícia sobre uma utente internada na Unidade de Cuidados de Transição da ULSAR no Hospital do Montijo, a administração da unidade de saúde explica que «a utente em causa encontra-se com alta clínica desde o dia 21 de julho de 2026. Foi colocada à família a possibilidade do seu regresso ao domicílio, tendo a família recusado.»
A ULSAR avança também que «à data de 13 de agosto, havia 78 utentes com alta clínica que permaneciam internados por motivos sociais.
Estas situações traduzem-se num custo diário associado em cerca de 350,00€/cama, suportado pelo erário público com a ocupação de camas em várias especialidades, criando constrangimentos nas equipas com aumento significativo da demora média de permanência destes utentes nos serviços e dificultando a resposta a doentes em fase aguda.»
A administração alerta ainda para uma consequência direta desta situação: doentes com doença aguda permanecem no Serviço de Urgência à espera de vaga, uma vez que um número significativo de camas está ocupado por pessoas que já não necessitam de cuidados hospitalares.
Unidade de Transição criada no Hospital do Montijo
Para tentar libertar camas dos serviços de internamento, a ULSAR criou uma Unidade de Cuidados de Transição, com 50 camas, instalada no Hospital do Montijo.
«Deste modo os utentes com alta clínica que, por ausência de resposta dos seus familiares não regressam ao seu domicílio no momento da alta, são transferidos para esta unidade que detém todas as condições para receber estes utentes.»
A administração da ULSAR sublinha que continua a desenvolver esforços para garantir a resposta aos utentes, «sempre em função da sua condição clínica».
Os números divulgados pela unidade de saúde colocam em evidência um dos problemas que afetam a capacidade de resposta hospitalar na região do Arco Ribeirinho: a dificuldade em encontrar respostas sociais para pessoas que já não necessitam de internamento hospitalar, mas que também não têm condições para regressar a casa.
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