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Transição energética nas frotas: o que muda para as empresas portuguesas

A eletrificação das frotas deixou de ser um tema de futuro para se tornar uma decisão de gestão do presente. Para muitas empresas portuguesas, a questão já não é se vão eletrificar, mas quando e como fazê-lo sem comprometer a operação. E é aqui que a decisão se complica, porque envolve custos de aquisição, autonomia dos veículos, infraestrutura de carregamento e o impacto no dia a dia de quem está na estrada.

A eletrificação das frotas deixou de ser um tema de futuro para se tornar uma decisão de gestão do presente. Para muitas empresas portuguesas, a questão já não é se vão eletrificar, mas quando e como fazê-lo sem comprometer a operação. E é aqui que a decisão se complica, porque envolve custos de aquisição, autonomia dos veículos, infraestrutura de carregamento e o impacto no dia a dia de quem está na estrada.

O primeiro erro comum é olhar apenas para o preço de compra. Um veículo elétrico custa, à partida, mais do que o equivalente a combustão, mas essa conta está incompleta. O custo total de propriedade, que inclui manutenção, impostos e energia ao longo de vários anos, conta uma história diferente. Em Portugal, as viaturas 100% elétricas beneficiam de isenção de ISV e de IUC, e as empresas podem deduzir a totalidade do IVA em veículos até 62.500 euros, além de uma taxa de tributação autónoma de 0% dentro desse mesmo limite. Estes fatores alteram por completo a matemática da decisão.

Planear antes de comprar

A transição bem feita começa muito antes de assinar o contrato do primeiro veículo. É preciso analisar os perfis de utilização da frota, ou seja, quantos quilómetros faz cada viatura, que rotas percorre e onde passa a noite estacionada. Frotas urbanas de última milha são candidatas naturais à eletrificação, enquanto operações de longo curso exigem um planeamento mais cuidado da autonomia e dos pontos de carregamento.

A infraestrutura é, muitas vezes, o verdadeiro fator decisivo. Instalar carregamento nas instalações da empresa transforma a economia do projeto, já que carregar na base é substancialmente mais barato do que depender exclusivamente da rede pública. Para gerir tudo de forma integrada, desde os cartões de abastecimento à telemática e aos pontos de carregamento, muitas empresas recorrem a parceiros como a Radius, que reúnem num só fornecedor as várias peças da mobilidade empresarial.

O combustível continua a fazer parte da equação

Apesar de toda a atenção dada ao elétrico, a realidade é que a esmagadora maioria das frotas em Portugal continua a depender de gasóleo, e continuará durante os próximos anos. A transição é gradual e, na prática, quase todas as empresas vivem hoje num modelo híbrido, com parte da frota elétrica e parte a combustão. Gerir bem esta fase intermédia é essencial. Os preços do gasóleo mudam semanalmente ao sabor das cotações internacionais, e a carga fiscal em Portugal está acima da média europeia, o que torna cada abastecimento uma variável relevante no orçamento. Ter uma gestão centralizada dos consumos, seja de energia elétrica ou de combustível, é o que permite comparar custos com rigor e tomar decisões informadas sobre o ritmo da transição.

Os apoios públicos ajudam a acelerar o processo. Empresas que pretendam avançar devem acompanhar os avisos do Fundo Ambiental, que ao longo dos últimos anos tem disponibilizado incentivos à aquisição de veículos comerciais elétricos, tipicamente na ordem dos milhares de euros por viatura.

No fim, eletrificar uma frota não é uma corrida, mas uma transformação bem planeada. As empresas que a encaram com dados, e não com pressa, são as que colhem os benefícios sem sobressaltos.

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