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Trabalhadores do INEM pedem demissão do presidente após assembleia-geral

Os trabalhadores do INEM aprovaram uma resolução em assembleia-geral na qual pedem a demissão do presidente da instituição, Luís Mendes Cabral. A decisão surge no contexto da contestação à reorganização do sistema de emergência médica e às recentes declarações do responsável sobre a Comissão de Trabalhadores.

Os trabalhadores do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM) aprovaram esta quinta-feira uma resolução em assembleia-geral que inclui um pedido de demissão do presidente da instituição, Luís Mendes Cabral, agravando o clima de tensão em torno da reforma do sistema de emergência pré-hospitalar.

Na resolução, aprovada pelos participantes na assembleia, os trabalhadores manifestam fortes críticas à atuação do Conselho Diretivo e às declarações recentemente proferidas por Luís Mendes Cabral, nomeadamente as que colocaram em causa a representatividade da Comissão de Trabalhadores (CT) e defenderam a necessidade de “críticas construtivas”.

Os trabalhadores rejeitam essa interpretação, considerando que os alertas feitos ao longo dos últimos meses tiveram como objetivo assinalar riscos e consequências das decisões em curso. Na resolução, defendem que críticas fundamentadas não deixam de ser construtivas apenas por serem duras ou incómodas para a direção.

Um dos principais pontos de discordância continua a ser a reorganização do dispositivo de emergência médica. A Comissão de Trabalhadores e o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar têm criticado o modelo adotado, alegando que poderá resultar na perda operacional de cerca de 100 ambulâncias do INEM. A administração da instituição tem rejeitado essa acusação, negando qualquer desmantelamento dos meios de socorro.

Os trabalhadores contestam igualmente a transferência da gestão das Ambulâncias de Emergência Médica para as Unidades Locais de Saúde (ULS) e a transformação de algumas viaturas de Suporte Imediato de Vida (SIV), considerando que estas alterações poderão afetar a capacidade de resposta à população.

Na mesma resolução, a assembleia reafirmou a confiança na Comissão de Trabalhadores e rejeitou qualquer tentativa de descredibilizar a sua legitimidade, sublinhando que esta resulta de um processo eleitoral e não depende da validação do Governo ou da administração do instituto.

Os trabalhadores defendem ainda que as mudanças em curso não podem ser atribuídas exclusivamente ao Conselho Diretivo do INEM, considerando que resultam de opções políticas do Ministério da Saúde e do Governo.

Entre as reivindicações aprovadas encontram-se também o reforço da participação dos trabalhadores nos processos de decisão, maior transparência por parte da direção e uma alteração da relação institucional entre a administração e as estruturas representativas dos profissionais.

Entretanto, o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar anunciou a realização de dois dias de greve, marcados para 14 e 28 de setembro, em protesto contra a nova lei orgânica do INEM e as alterações previstas para o dispositivo operacional do instituto.


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