Os trabalhadores da Silopor irão entregar, na próxima segunda-feira, dia 24 de fevereiro, à comissão liquidatária, uma nova proposta de acordo de empresa, reforçando a sua posição sobre a necessidade de revisão do documento. Além disso, exigem que a empresa se mantenha no setor público, considerando essa condição essencial para a continuidade da sua atividade e estabilidade dos postos de trabalho.
A decisão foi tomada em plenário e surge após a última reunião com a comissão liquidatária, onde ficou expressa a possibilidade de reformulação da proposta, nomeadamente no que diz respeito aos aumentos salariais aplicados por ato de gestão. Segundo os trabalhadores, há margem negocial para chegar a um entendimento, mas, caso não haja avanços significativos, estão em cima da mesa novas formas de luta, incluindo uma possível greve.
Outro ponto crítico do processo é a liquidação da empresa, imposta pela Direção-Geral da Concorrência da União Europeia em 2000, mas que se mantém sem desfecho, sendo gerida por uma comissão liquidatária com mandato até 2025. Para os trabalhadores, é essencial que fique garantido que a Silopor continue integrada no setor empresarial do Estado, assegurando a sua função estratégica no abastecimento de cereais e farinhas em Portugal.
Além da questão da manutenção na esfera pública, os trabalhadores também defendem que o atual acordo de empresa deve permanecer em vigor até ser substituído por um novo, ao contrário da proposta do Governo, que prevê um teto temporal de cinco anos para a sua validade. Segundo Célia Lopes, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores do Comércio, Escritórios e Serviços de Portugal (CESP), o acordo tem de ser revisto para se adaptar à evolução das carreiras e à realidade do setor.
Entretanto, a reunião com a comissão liquidatária levou à desconvocação da greve ao trabalho suplementar que estava prevista para esta semana. No entanto, os trabalhadores não descartam novas formas de protesto caso as suas exigências não sejam atendidas.
A Silopor, empresa portuária especializada no armazenamento de granéis sólidos alimentares, é responsável pela gestão dos silos da Trafaria (Almada) e do Beato (Lisboa). Com uma capacidade global de 340 mil toneladas, desempenha um papel fundamental no abastecimento do país, movimentando cerca de 3,4 milhões de toneladas de cereais e farinhas por ano. O futuro da empresa permanece incerto, mas os trabalhadores estão determinados a lutar pela sua continuidade no setor público.
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