Tortura no Rato arrasta mais seis
A mega investigação sobre alegados atos de tortura na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, passou a envolver mais seis agentes, entre os quais uma mulher-polícia e um chefe. Nove polícias estão já em prisão preventiva no âmbito do mesmo processo.
A investigação judicial sobre alegados atos de tortura a detidos, toxicodependentes e pessoas em situação de sem-abrigo na esquadra da PSP do Rato, em Lisboa, ganhou uma nova dimensão com o envolvimento de mais seis agentes policiais.
Entre os novos suspeitos identificados no processo estão uma mulher-polícia, a primeira a surgir associada ao caso, e um chefe da PSP, num inquérito que continua a alargar o número de elementos sob escrutínio. Apesar de já terem sido interrogados no Departamento de Investigação e Ação Penal de Lisboa, não foram constituídos arguidos nesta fase.
O processo conta atualmente com nove polícias em prisão preventiva, dois dos quais foram detidos no ano passado e outros sete já em fevereiro. O inquérito-crime foi aberto em fevereiro de 2025, após uma participação feita pelo Comando Metropolitano de Lisboa da PSP, e tem vindo desde então a reunir novos dados sobre o que alegadamente se passou naquela esquadra.
A identificação destes seis novos elementos surgiu durante a recolha de prova e no decurso de interrogatórios a dezenas de outros agentes que ainda prestam serviço ou já passaram pela esquadra do Rato. A investigação abrange também elementos ligados a outras instalações policiais, numa indicação de que o apuramento dos factos está a ser feito de forma alargada.
No âmbito das diligências já realizadas, este novo grupo foi alvo de buscas. Segundo os elementos recolhidos no processo, terão sido encontrados documentos de mulheres imigrantes do Leste da Europa, uma descoberta que passou igualmente a integrar a linha de investigação em curso.
Para já, estes seis agentes continuam apenas com o estatuto de suspeitos. Ainda assim, o processo poderá sofrer nova evolução caso o Ministério Público considere existir prova suficiente para sustentar indícios de participação em atos de tortura ou de eventual envolvimento em contextos de humilhação e avistamento, incluindo em grupos de WhatsApp ou Telegram, sem que tenha existido a respetiva denúncia.
Se esse cenário se confirmar, os suspeitos poderão ser chamados a primeiro interrogatório judicial, à semelhança do que já aconteceu com outros agentes neste mesmo processo.
A evolução do caso volta a colocar sob forte pressão a atuação policial naquela esquadra lisboeta e abre uma nova frente de escrutínio sobre responsabilidades individuais e eventuais falhas de controlo interno. Trata-se de um processo com elevado interesse público, não apenas pelo número crescente de polícias envolvidos, mas também pela gravidade dos crimes investigados e pelo impacto que o caso tem na confiança dos cidadãos nas instituições.
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