País

Toque entre peixes gera prazer semelhante ao humano, revela estudo luso-brasileiro

Investigação conjunta entre Portugal e Brasil demonstra que interações táteis entre peixes ativam no cérebro mecanismos de prazer idênticos aos dos humanos.

Um estudo publicado na revista Proceedings of the Royal Society B concluiu que o simples toque entre peixes pode desencadear prazer através do sistema opióide, mecanismo neurológico responsável pela sensação de recompensa em humanos e outros mamíferos.

A investigação, que envolveu cientistas do CCMAR e Cibio (Portugal) e das universidades do Sul e Sudeste do Pará e do Rio Grande do Norte (Brasil), analisou as interações mutualísticas entre peixes limpadores, como o Labroides dimidiatus, e espécies clientes, como o peixe-borboleta Chaetodon auriga. Para além da já conhecida função de remoção de parasitas, a equipa quis saber se o contacto físico proporcionava também benefícios emocionais.

Nos testes realizados, mesmo na ausência de parasitas, os peixes clientes procuraram os limpadores, recebendo o que os investigadores descrevem como “massagens aquáticas”. Os resultados demonstraram que este estímulo tátil ativa o sistema opióide dos clientes, reduzindo o ‘stress’ e gerando sensações de prazer.

Segundo o investigador João Saraiva, do FishEthoGroup-CCMAR, “o estudo comprova claramente que os peixes experimentam prazer com a estimulação tátil e que isso é regulado pelo seu sistema opióide”. Este paralelismo com como os humanos processam o prazer reforça a importância das recompensas sociais no mundo aquático.

Outra conclusão marcante foi a distinção entre “gostar” e “querer”: o “gostar” depende diretamente do sistema opióide, mas o “querer” é controlado por outros mecanismos cerebrais. O simples avistar de um peixe limpador já era suficiente para motivar os clientes a procurar contacto, mesmo sem envolvimento do sistema opióide.

Os autores defendem que estas descobertas abrem novas perspetivas para estudar os fundamentos neurobiológicos do comportamento social e do bem-estar em espécies aquáticas, e sugerem aprofundar o papel de outros neurotransmissores, como a dopamina, nas recompensas sociais.


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