Tesouros arqueológicos de Alcácer do Sal protegidos de futuras cheias
Alcácer do Sal realoca reservas arqueológicas e arquivo para local seguro, prevenindo danos futuros.

A destruição provocada pelas recentes cheias em Alcácer do Sal obriga o município a acelerar medidas de proteção do património histórico e documental da cidade. A autarquia aprovou o arrendamento de um novo espaço em Castelo de Arez para acolher as reservas arqueológicas e o arquivo de urbanismo afetados pelas inundações que atingiram os Paços do Concelho.
A decisão surge após a cave do edifício municipal ter ficado inundada, colocando em risco centenas de peças arqueológicas de elevado valor patrimonial e documentação considerada essencial para o funcionamento dos serviços municipais.
O novo armazém irá receber cerca de 700 contentores de espólio arqueológico, permitindo continuar os trabalhos de recuperação, lavagem, secagem e etiquetagem das peças. Estas operações têm decorrido de forma provisória no parque urbano da cidade, numa corrida contra o tempo para minimizar os danos provocados pela água.
Além do espólio arqueológico, o espaço servirá também para guardar o arquivo relacionado com o licenciamento de obras particulares. Segundo a autarquia, vários trabalhadores municipais estão envolvidos num processo minucioso de recuperação documental, numa tentativa de preservar informação considerada fundamental para os munícipes e para assegurar o regular funcionamento dos serviços de urbanismo.
O episódio voltou a levantar preocupações sobre a vulnerabilidade dos arquivos históricos e administrativos perante fenómenos meteorológicos extremos, cada vez mais frequentes. A transferência destes materiais para um novo local pretende garantir melhores condições de conservação e segurança, reduzindo o risco de perdas irreversíveis no futuro.
Para o executivo municipal, esta operação representa uma medida indispensável para proteger a memória coletiva do concelho e salvaguardar um património arqueológico considerado dos mais relevantes do Alentejo.
Num território marcado pela sua riqueza histórica, o impacto das cheias deixou exposta à fragilidade de estruturas que guardam décadas de história local. A prioridade passa agora por recuperar o máximo possível do acervo afetado e impedir que novos episódios coloquem em causa documentos e peças insubstituíveis.
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