Tempestades não dão tréguas e já há 15 mortos
Portugal enfrenta há 15 dias consecutivos um violento ciclo de tempestades que já provocou 15 vítimas mortais, milhares de desalojados e prejuízos superiores a 4.000 milhões de euros, numa das mais prolongadas crises meteorológicas dos últimos anos.

Portugal continental continua sob forte instabilidade atmosférica desde 28 de janeiro, data em que a depressão Kristin entrou pelo distrito de Leiria com rajadas a atingir os 200 quilómetros por hora e precipitação intensa. O que começou como um episódio extremo transformou-se num comboio sucessivo de tempestades que mantém o país sob pressão há mais de duas semanas.
No primeiro impacto, registaram-se cinco mortos, milhares de habitações danificadas e um milhão de pessoas sem eletricidade. Só nas primeiras horas foram contabilizadas mais de 5.400 ocorrências, mobilizando mais de 18 mil operacionais no terreno. Leiria, Coimbra, Santarém e Lisboa surgiram entre os distritos mais afetados, com populações isoladas, vias cortadas e falhas prolongadas nas comunicações.
Nos dias seguintes, o cenário agravou-se. A rede Siresp registou falhas, vários municípios pediram a declaração de calamidade e o Governo avançou com essa medida em cerca de 60 concelhos. O número de vítimas foi a aumentar à medida que os efeitos das cheias e dos ventos se faziam sentir, incluindo mortes associadas a trabalhos de reparação de telhados e estruturas elétricas.
A 1 de fevereiro, o executivo prolongou a situação de calamidade e anunciou 2.500 milhões de euros em apoios públicos, estimando-se então mais de 34 mil operacionais no terreno. Entretanto, os danos acumulados ultrapassaram os 4.000 milhões de euros, valor assumido pelo primeiro-ministro perante a dimensão da destruição.
A instabilidade manteve-se com a chegada de novas depressões, como a Leonardo, que provocaram cheias nas bacias do Tejo, Mondego e Sado. Centenas de pessoas foram retiradas preventivamente das suas casas e mais de mil permaneceram deslocadas. Em Alcácer do Sal e noutras zonas ribeirinhas, as inundações atingiram níveis considerados críticos.
O impacto político tornou-se inevitável. A ministra da Administração Interna demitiu-se após críticas à gestão da resposta e às falhas registadas nas comunicações de emergência, assumindo o primeiro-ministro as respetivas competências de forma transitória.
Esta quarta-feira, 11 de fevereiro, o rebentamento de um dique no rio Mondego obrigou ao corte da Autoestrada 1 entre Coimbra Norte e Coimbra Sul, confirmando que o país continua vulnerável às consequências acumuladas de dias consecutivos de chuva intensa.
Hospitais das regiões mais afetadas registaram centenas de atendimentos por traumas relacionados com o mau tempo, enquanto forças armadas e meios de socorro reforçaram operações de apoio às populações.
Com milhares de habitações ainda em reparação e dezenas de concelhos sob medidas especiais, Portugal vive um dos mais prolongados períodos de instabilidade meteorológica das últimas décadas, numa crise que conjuga impacto humano, destruição material e consequências políticas.
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