Tempestade Marta vai atingir bacias do Sado, Tejo e Mondego
A ministra do Ambiente e Energia alertou esta sexta-feira para um momento “particularmente crítico” vivido em Portugal devido à passagem da tempestade Marta, que deverá afetar de forma mais severa as bacias hidrográficas dos rios Sado, Tejo e Mondego, com elevado risco de inundações.
Maria da Graça Carvalho falava aos jornalistas após uma reunião de balanço da situação das cheias na Agência Portuguesa do Ambiente (APA), na Amadora, sublinhando que a nova depressão atmosférica deverá entrar em território nacional durante a noite, entre Sines e Lisboa, atingindo em primeiro lugar a bacia do rio Sado, onde Alcácer do Sal já regista inundações.
Segundo a governante, a depressão seguirá depois para a bacia do Tejo, também em situação de cheia, e para o rio Mondego, considerado igualmente preocupante. Para hoje e sábado, está identificado um risco elevado de inundações nos rios Vouga, Águeda, Mondego, Tejo, Sorraia e Sado.
Com risco de inundações (não elevado) estão também os rios Lima, Cávado, Ave, Douro, Tâmega, Lis e Guadiana.
Apesar da situação, a ministra destacou o trabalho preventivo desenvolvido pela APA, nomeadamente as descargas efetuadas nas barragens durante os meses de dezembro e janeiro, que permitiram libertar mais de 700 hectómetros cúbicos de água — o equivalente ao consumo anual dos portugueses — evitando cheias de maiores dimensões.
Ainda assim, quinta-feira foi um dia particularmente difícil na bacia do Tejo, devido às descargas provenientes de barragens em Espanha, em especial da barragem de Alcantara, que fizeram quase duplicar o caudal do rio. Em Almourol, o caudal atingiu os 9.000 metros cúbicos por segundo, aproximando-se do ponto crítico de 10.000. Esta sexta-feira, os valores já se encontravam mais baixos, cerca de 6.700 metros cúbicos por segundo.
Maria da Graça Carvalho afirmou que tudo está a ser feito para que o impacto da depressão Marta seja o menor possível, mas admitiu que pode ser preciso evacuar mais locais.
O presidente da APA, Pimenta Machado, reforçou que o país enfrenta um “tempo excecional”, referindo que várias barragens do Algarve, que historicamente nunca descarregavam, estão agora a fazê-lo. Confirmou também descargas nas barragens de Santa Clara, no sudoeste alentejano, e de Monte da Rocha, na bacia do Sado.
A ministra destacou, além da boa gestão das barragens, o contacto permanente com as autoridades espanholas.
E lamentou que entre as tempestades Leonardo e Marta não tenha sido possível fazer descargas nas barragens, apontando também o facto de os terrenos estarem já muito saturados de água.
Ambos os responsáveis alertaram que não se trata de um fenómeno isolado, mas de um verdadeiro “comboio de tempestades”, o que dificulta a gestão dos caudais, sobretudo com os solos já saturados de água e as albufeiras próximas da capacidade máxima.
Maria da Graça Carvalho admitiu que poderão ser necessárias novas evacuações e apelou à população para que siga rigorosamente as indicações da Proteção Civil. Atualmente, cerca de 34 mil operacionais encontram-se mobilizados no terreno para responder às ocorrências.
*Com Lusa
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