
O rio Tejo prepara-se para recuperar uma imagem que atravessa séculos. No próximo 16 de maio, o Círio de Oeiras volta a cumprir a histórica travessia fluvial até à Atalaia, numa iniciativa que resgata uma tradição com mais de cinco séculos de existência.
O cortejo arranca da Marina de Oeiras, num cenário que promete atrair atenções pela força visual e simbólica da iniciativa. A meio do percurso, a paragem na Doca da Marinha, em Lisboa, assinala um dos momentos mais emblemáticos da viagem antes da travessia para a margem sul.
A bordo de embarcações tradicionais, os participantes recriam um ritual que marcou gerações e que esteve durante anos afastado do quotidiano das populações ribeirinhas. O percurso pelo Tejo devolve ao rio o papel de ligação entre territórios e comunidades, num reencontro com a história.
Já em terra, a peregrinação prossegue com um trajeto pedonal até ao Santuário da Atalaia, no concelho do Montijo, mantendo o modelo original que combina travessia fluvial e caminhada religiosa.
A iniciativa, organizada pelas paróquias da Vigararia de Oeiras em articulação com entidades locais, reforça não apenas a dimensão espiritual do evento, mas também a preservação de uma herança cultural profundamente ligada ao estuário do Tejo.
Num contexto em que muitas tradições se perderam, o regresso do Círio ao rio surge como um momento raro de continuidade histórica, capaz de mobilizar fiéis, curiosos e entusiastas da náutica. A travessia promete transformar o Tejo num palco vivo de memória coletiva.
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