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Técnica do Estado acusada de legalizar imigrantes ilegais escondia 791 mil euros em casa

Uma técnica superior do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE) foi acusada de integrar uma alegada rede de auxílio à imigração ilegal. A investigação encontrou 791 mil euros em numerário escondidos na sua residência, além de ouro, joias, relógios de luxo e outros bens.

Uma técnica superior do Ministério dos Negócios Estrangeiros (MNE), a filha e o marido foram acusados de mais de mil crimes no âmbito de uma investigação relacionada com um alegado esquema de regularização fraudulenta de cidadãos estrangeiros em Portugal.

De acordo com a acusação do Ministério Público, a funcionária exercia funções na Direção-Geral dos Assuntos Consulares e das Comunidades Portuguesas e terá colaborado num esquema que facilitava processos de legalização de imigrantes em troca de compensações financeiras.

Durante as buscas realizadas no âmbito da investigação, a Polícia Judiciária apreendeu 791 mil euros em dinheiro, além de ouro, joias, relógios de luxo, viaturas e outros bens considerados incompatíveis com os rendimentos declarados pelos arguidos.

Segundo as autoridades, a rede terá operado durante vários anos recorrendo à falsificação de documentos e à utilização abusiva de mecanismos administrativos para obter autorizações de residência. A investigação aponta para um esquema que poderá ter movimentado milhões de euros através da cobrança de quantias significativas a cidadãos estrangeiros interessados em regularizar a sua situação em Portugal.

O processo resulta da denominada Operação Gambérria, desencadeada pela Polícia Judiciária em maio de 2025, que levou à detenção de vários suspeitos, incluindo empresários, advogados e funcionários públicos.

De acordo com a PJ, a organização fornecia aos migrantes diversos documentos e serviços necessários para instruir pedidos de residência, incluindo contratos de trabalho, números de identificação fiscal, registos na Segurança Social e comprovativos de morada.

As autoridades concluíram ainda que muitos dos cidadãos estrangeiros alegadamente regularizados através deste esquema nem sequer residiam em Portugal, encontrando-se já noutros países do espaço Schengen.

A acusação inclui crimes de auxílio à imigração ilegal, associação de auxílio à imigração ilegal, corrupção, falsificação de documentos, branqueamento de capitais e outros ilícitos relacionados. O processo segue agora para as fases judiciais seguintes.

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