
A força transformadora do teatro volta a estar no centro das atenções em Setúbal, com a inauguração da exposição “Liberdade! Liberdade! A Revolução no Teatro”, no átrio do Fórum Municipal Luísa Todi. A mostra, do Museu Nacional do Teatro e da Dança, foi inaugurada na passada quinta-feira, Dia Mundial do Teatro, e marca um tributo claro aos 50 anos do 25 de Abril e ao papel das artes performativas na conquista e defesa da liberdade.
Na cerimónia de abertura, o presidente da Câmara Municipal, André Martins, destacou que a exposição é um testemunho do compromisso de Setúbal com a memória, a cultura e a cidadania. Sublinhou ainda a importância do teatro enquanto espaço de resistência e palco de esperança, sobretudo em períodos de repressão e censura.
“O palco foi trincheira e a palavra arma de mudança”, afirmou o autarca, lembrando que a cidade tem uma relação antiga e profunda com as artes cénicas. A exposição, composta por documentos históricos, objetos cénicos e imagens marcantes, permite revisitar os anos de ditadura e a efervescência criativa que se seguiu à Revolução de Abril. Segundo André Martins, é uma oportunidade para refletir sobre a importância da liberdade como conquista permanente.
A noite foi também marcada pela estreia da peça “Simplesmente Abril”, com texto de Rui Zink e encenação de Carlos Curto, apresentada pelo Teatro de Animação de Setúbal (TAS), que assinala 50 anos de atividade ininterrupta desde 1975. A diretora do TAS, Célia David, destacou que o grupo foi um dos dez escolhidos pelo Ministério da Cultura para integrar esta mostra nacional. Considerou a distinção um marco de resistência e perseverança, sobretudo num país onde o teatro continua a ser subfinanciado e sustentado pela dedicação das companhias locais.
A responsável evidenciou ainda o papel do TAS na descentralização cultural e teatral, ao longo de décadas de trabalho fora dos grandes centros urbanos. “É preciso muita resistência, força e teimosia para chegar até aqui”, disse, sublinhando a relevância do apoio da Câmara de Setúbal, considerado “essencial” para a sobrevivência do projeto.
A inauguração contou ainda com a presença de Mariana Viterbo Brandão, diretora do Museu Nacional do Teatro e da Dança, que realçou o valor simbólico de abrir a exposição simultaneamente em Setúbal e no Porto, reforçando a ideia de que a memória do teatro e da revolução não pertence apenas à capital.
A peça “Simplesmente Abril”, protagonizada por Célia David, Duarte Victor, Miguel Assis e João Fernandez, encerrou a cerimónia, com a leitura da mensagem oficial do Dia Mundial do Teatro, emitida pelo Instituto Internacional do Teatro da UNESCO.
A exposição pode ser visitada gratuitamente no Fórum Luísa Todi, durante o horário habitual de funcionamento, e estará disponível ao público até ao final de abril, mês que simboliza a liberdade e a resistência — também nos palcos.
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