Supremo russo exclui partido anti-guerra Yabloko das eleições parlamentares
O Supremo Tribunal da Rússia decidiu anular o registo eleitoral do partido liberal Yabloko para as próximas eleições à Duma, afastando da corrida parlamentar a única força política que se opõe abertamente à guerra na Ucrânia.
O Supremo Tribunal da Rússia aceitou os pedidos de anulação do registo eleitoral do partido liberal Yabloko para as eleições à Duma, a câmara baixa do parlamento russo.
A decisão foi anunciada pelo juiz Viatcheslav Kirillov, o mesmo magistrado que, em 2021, ordenou a dissolução da organização de direitos humanos Memorial, distinguida posteriormente com o Prémio Nobel da Paz.
Antes do veredicto, o líder do Yabloko, Nikolai Rybakov, defendeu perante o tribunal que o partido está a ser alvo de pressão política devido à sua oposição à guerra na Ucrânia.
Segundo Rybakov, o Kremlin receia que o partido concentre o chamado voto de protesto, sustentando que existe um apoio crescente à mensagem de paz defendida pela formação política.
Fundado em 1993 por Grigory Yavlinsky, Yuri Boldirev e Vladimir Lukin, o Yabloko é considerado o principal partido liberal da Rússia e distinguiu-se ao longo das últimas décadas pela defesa dos direitos humanos, da economia de mercado e do Estado de direito.
A formação política tem também uma posição singular no panorama político russo, ao opor-se a todas as intervenções militares conduzidas por Moscovo desde a queda da União Soviética, incluindo os conflitos na Chechénia, Síria e Ucrânia.
Nos últimos anos, vários dirigentes e candidatos do partido foram impedidos de participar em eleições por alegadas infrações relacionadas com críticas à guerra ou ligações consideradas extremistas pelas autoridades russas.
O Yabloko perdeu influência política após a chegada de Vladimir Putin ao poder, em 2000. Depois de ter mantido representação parlamentar durante a década de 1990, deixou de ter grupo parlamentar em 2003 e ficou sem qualquer deputado quatro anos depois.
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