Opinião

Somos livres por direito não por recompensa

As opiniões expressas neste artigo são pessoais e vinculam apenas e somente o seu autor.

Será a liberdade um prémio que nos é concedido, por conseguinte, passível de nos ser retirado?

Haverá diferença entre o status duma criança nascida na escravidão e aquele duma criança nascida num campo em Xinjiang ou na Coreia do Norte, ou ainda na circunstância duma criança nascida no seio duma sociedade distópica, digitalizada e controlada centralmente como a que se perfila no mundo ocidental?

A recente estratégia global de gestão sanitária abriu um precedente ao usar a “segurança” como pretexto para justificar a remoção de direitos humanos que julgávamos (pelo menos no ocidente) como inalienáveis, reforçando a ideologia de que a liberdade é doseável  e um prémio a ser concedido por decreto e apenas a quem se considere merecedor. Somos ou não somos Livres? Deveremos aceitar, o risco, a ciência e a política como árbitros da nossa liberdade?

Os mandatos vacinais massivos, a experiência piloto do cartão sanitário europeu em que Portugal é parte interveniente (1), são sintoma da crescente condescendência para com a ancoragem de direitos humanos inalienáveis ao estatuto sanitário individual. A coerção médica emergiu das sombras para o mainstream da Saúde Pública, estando na mesa o controlo do acesso a todos os direitos considerados fundamentais e consignados na Declaração Universal dos Direitos do Homem (2) incluindo o direito a trabalhar, a viajar, a socializar, a aprender e, in-extremis, no que concerne ao acesso aos cuidados saúde e a bens de consumo.

Os opositores da política sanitária no combate à Covid 19 (nos quais orgulhosamente me incluo) usaram a lógica como principal argumento demonstrando o absurdo, o risco social e imunológico e a ausência de fundamento científico para o uso de máscara, para os confinamentos, para a testagem obsessiva e para injecção massiva de uma terapia genética, experimental, não segura e não eficaz (3). Tudo isto para combater uma doença benigna, visando um grupo populacional bem definido (4,5) e contra a qual a imunidade natural (6) sempre se revelou mais eficaz.

Facto é, com base na prova científica e razão decorrente, o movimento que resistiu e que se opôs às políticas de saúde pública transversalmente adoptadas na maioria dos países, conseguiu algumas vitórias jurídicas (nomeadamente no nosso país, 7,8) e, acto continuo, a reversão de parte do processo. Todavia, o progresso tem sido lento e manifestamente insuficiente, pois as autoridades de saúde, nacionais e internacionais, continuam a parir estratégias para fazer face a pandemias hipotéticas, perpetuando a coerção sanitária (9).

Tal como o nazismo, o Fascismo Sanitário Internacional deve ser denunciado e descartado por ser fundamentalmente errado, absolutamente aberrante e discriminatório uma vez que coloca a autoridade central e o “bem maior” acima de direitos inalienáveis e intrínsecos à condição humana, dentre os quais a Liberdade. É nesta linha de pensamento que deveremos permanecer se quisermos bloquear o uso da saúde pública como ferramenta primordial para a instauração dum regime autoritário e corporativo – conforme advogado pelos adeptos do “Great Reset” (10)

A verdade inconveniente é que a Liberdade é um direito de nascença, não uma recompensa tampouco uma concessão por decreto. Se reconhecermos que “todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos” (artigo 1° da Declaração Universal dos Direitos do Homem) e que todo o ser humano tem valor intrínseco, igual, imensurável e independente – todas e quaisquer políticas que favoreçam a coerção e a discriminação (racial, ideológica, sexual, sanitária, etc.) são criminosas.

À semelhança do que se assistiu no regime nazi, também agora se pavimenta um caminho de genocídio usando a saúde pública como pretexto.

Toda e qualquer abordagem alicerçada no “bem comum” subentende a concepção dos indivíduos como meros pedaços de carne, cujos direitos só serão observados quando vantajosos para o Poder, pese embora o valor fundamental dum indivíduo, não poder ser restringido.

A igualdade genuína leva ao conceito de autonomia corporal – não nos podemos  sobrepor ou substituir a ninguém no que concerne a assuntos do foro da vida privada. Assim, enquanto seres dotados de livre-arbítrio e de soberania sobre o nosso corpo não podemos ser forçados a modificá-lo ou a violá-lo por influência de outrem, seja sob que pretexto for.

A coerção envolve ameaças visando a remoção de direitos básicos que a autonomia e a soberania proporcionam, constituindo por isso uma agressão. Portanto, a realização de qualquer acto médico está sujeita ao Consentimento Informado do visado ou de quem o tutele, não podendo o acto médico ser obrigado ou imposto, nem por lei, nem coercivamente, seja ele diagnostico, terapêutico, profilático ou experimental. O Consentimento Informado é um dever ético e um direito inalienável.

Pelo exposto, a imposição de restrições sanitárias e de mandatos vacinais (mas não só), em nome da segurança e com base em estatísticas e no positivismo científico, caracterizam o paradigma da tirania. Para travar esta deriva não bastará apontar as falhas óbvias na narrativa e na estratégia, expondo a mentira e o absurdo, pois esta ferramenta serve apenas para demonstrar a falsidade dos outros e não representando a solução para pôr fim ao Fascismo Internacional que se agiganta.

Fundamentalmente, o respeito pelos direitos humanos não pode depender dos caprichos das autoridades de saúde ou dos políticos, ou dos filantropos e das suas corporações favoritas. Aqueles devem ser relembrados à exaustão, reivindicados sem preconceito e exercidos sem medo, por serem parte integrante do Homem, independentemente da sua idade, sexo, raça, filiação, ideologia, religião, riqueza, circunstância ou estado de saúde.

Ao contrário do postulado, pelo discurso politicamente correcto, a nossa liberdade jamais se esgota na liberdade do outro. A liberdade de cada um de nós continua com a do outro, sendo a ética, a empatia e o amor que modulam a escolha, tornando, assim, pleno e solidário o exercício da liberdade.

À luz dos acontecimentos recentes, precisamos pesar tais requisitos de forma transparente, evitando danos intencionais ao outro, mas mantendo a lei natural da inviolabilidade da humanidade primordial. E, uma vez que a escravidão no seio duma sociedade médico-fascista viria a revelar-se catastrófica para a Humanidade, é urgente não só desmascarar, resistir e superar o dogma, como também codificar os direitos humanos e insistir no processo, no legalismo e na lei dando à sabedoria o tempo e à sociedade a confiança necessária à superação do medo e à reconquista dos seus direitos.

REFERÊNCIAS:

1 – https://diariodistrito.sapo.pt/o-outono-da-liberdade-e-ja-em-setembro/

2 – https://www.un.org/en/about-us/universal-declaration-of-human-rights

3 – https://www.thelancet.com/journals/lanepe/article/PIIS2666-7762(21)00258-1/fulltext?s=08 https://www.thelancet.com/journals/lanepe/article/PIIS2666-7762(21)00258-1/fulltext?s=08#%20

4  – https://archive.cdc.gov/#/details?url=https://www.cdc.gov/coronavirus/2019-ncov/covid-data/investigations-discovery/hospitalization-death-by-age.html

5 – https://www.cdc.gov/covid/risk-factors/index.html

6 – https://pt.brownstone.org/bens/estudos-de-pesquisa-afirmam-imunidade-naturalmente-adquirida/ https://pt.brownstone.org/articles/research-studies-affirm-naturally-acquired-immunity/

7 – https://drive.google.com/file/d/1t1b01H0Jd4hsMU7V1vy70yr8s3jlBedr/view

8 – https://drive.google.com/file/d/1E18DlB5l5w2dvqOKe8QriQ1T73LfMR3j/view

9 – https://pt.brownstone.org/bens/mensagens-falsas-para-sempre-o-plano-de-quem-para-o-futuro/

10 – https://www.weforum.org/agenda/2020/06/now-is-the-time-for-a-great-reset/


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