
A plataforma informal Tirem as Mãos do Litoral Alentejano exigiu este sábado ao Governo a verificação imediata da carga de um navio suspeito de transportar material militar para Israel, com escala prevista no Porto de Sines.
Num comunicado, a estrutura, que junta várias associações e movimentos da região, pede não só a inspeção dos contentores a bordo, como também que o Executivo impeça a entrada em porto de embarcações que integrem a cadeia militar israelita e assegure que Sines não é utilizado como entreposto logístico para esse fim.
A plataforma sustenta que as autoridades portuguesas têm obrigação de cumprir o Tratado sobre o Comércio de Armas e a Convenção para a Prevenção e Repressão do Crime de Genocídio, defendendo que deve ser travado o trânsito de material suscetível de contribuir para crimes de guerra ou atos de genocídio.
No mesmo texto, a TAMLA refere que o alerta partiu da Rede de Solidariedade Contra a Ocupação da Palestina e da campanha Para Parar o Comércio de Armas com Israel, que sinalizaram a passagem por Sines de dois navios sob suspeita.
Segundo a plataforma, o porta-contentores MSC Danit tinha escala marcada para este sábado, 14 de março de 2026, pelas 23h00, no porto alentejano. A estrutura enquadra esta escala num trajeto marítimo associado a uma cadeia logística da indústria indiana, alegadamente ligada à Elbit Systems e à IMI Systems, empresas identificadas como fornecedoras de munições ao exército israelita.
A suspeita, acrescenta a plataforma, aponta para o eventual transporte de aço militar especializado, cápsulas de munição e outros materiais usados na produção de munições e projéteis de artilharia.
A TAMLA refere ainda que o MSC Siena, outro navio igualmente apontado como suspeito, já terá passado por Sines e estaria a seguir para Valência, sem que tivesse sido alvo de qualquer inspeção.
Na sexta-feira, o deputado único do Bloco de Esquerda, Fabian Figueiredo, questionou o Governo sobre esta escala prevista em Sines. Na pergunta dirigida ao ministro de Estado e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Rangel, o parlamentar quer saber se o Executivo tinha conhecimento da operação e que diligências urgentes foram, ou serão, desencadeadas para confirmar o manifesto de carga do navio.
O deputado pretende ainda perceber se o Governo está disponível para recusar entrada em porto ou serviços logísticos a navios envolvidos na cadeia de abastecimento militar do Estado de Israel, tendo em conta as ordens do Tribunal Internacional de Justiça para prevenir atos de genocídio em Gaza.
Na mesma iniciativa parlamentar, Fabian Figueiredo questiona também que medidas serão adotadas para impedir que os portos portugueses sejam usados como ponto de passagem para contornar embargos de armas decididos por outros Estados vizinhos.
A plataforma termina reafirmando que se posiciona ao lado do direito internacional, da defesa dos direitos humanos e da paz, defendendo justiça social e ambiental em Portugal e no mundo.
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