Sindicatos criticam proposta salarial da CP e falam em falta de negociação
A proposta apresentada pela administração da CP – Comboios de Portugal na reunião realizada esta semana com os sindicatos inclui apenas uma alteração face à proposta inicial: o aumento de 0,10 euros no subsídio de refeição, segundo informou a Federação dos Sindicatos de Transportes e Comunicações (FECTRANS).
De acordo com a estrutura sindical, a proposta atual da empresa prevê um aumento salarial de 56,58 euros para trabalhadores com vencimentos até 2.631,62 euros. Para salários iguais ou superiores a esse valor, está previsto um aumento de 2,15%.
No que diz respeito ao subsídio de refeição, a proposta aponta para um aumento de 0,25 euros por dia, mais 0,10 euros do que o valor apresentado inicialmente pela administração da empresa ferroviária.
A FECTRANS considera que não está a existir uma negociação real neste processo. Segundo a federação sindical, as decisões relativas aos aumentos salariais estão a ser determinadas por despacho do Governo, limitando-se as administrações das empresas públicas a aplicá-las.
“Não há negociação real. O Governo emite um despacho e as administrações limitam‑se a executá‑lo, ignorando as propostas sindicais. Falta apenas assumirem que, no que toca aos aumentos salariais, decidem e mandam publicar”, refere a organização em comunicado.
Os sindicatos criticam ainda a administração da CP por não ter disponibilizado alguns dados solicitados durante o processo negocial, nomeadamente a previsão da massa salarial da empresa para 2025, o que, segundo a federação, impede uma avaliação do impacto real do despacho governamental..
A FECTRANS sustenta que, aplicando a percentagem de 4,6% sobre a massa salarial conhecida de 2024, o montante resultante seria superior ao custo indicado pela administração para a proposta apresentada.
Para a estrutura sindical, a proposta atual representa também um retrocesso face ao caminho de valorização salarial que começou a ser trilhado no ano passado, fruto da mobilização dos trabalhadores do setor.
A federação sublinha ainda que a proposta surge numa altura em que a CP anunciou ter atingido um novo recorde de passageiros em 2025, resultado que atribui ao empenho dos trabalhadores da empresa.
Perante este cenário, a FECTRANS defende que os trabalhadores da transportadora ferroviária pública “merecem melhores salários” e promete continuar a lutar por uma valorização salarial mais significativa.
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