Setúbal vai homenagear figura histórica do cinema português nos 90 anos do nascimento
Mário Ventura Henriques, fundador do Festroia e uma das personalidades marcantes da cultura portuguesa, será homenageado em Setúbal com uma programação especial que inclui cinema, literatura e evocação do seu percurso enquanto jornalista, escritor e opositor ao regime salazarista.
A cidade de Setúbal vai prestar homenagem a Mário Ventura Henriques no próximo dia 24 de maio, assinalando os 90 anos do nascimento do jornalista, escritor e fundador do Festroia – Festival Internacional de Cinema de Setúbal.
A iniciativa terá lugar no Cinema Charlot – Auditório Municipal e contará com um programa cultural dedicado à memória e legado de uma das figuras mais influentes da cultura portuguesa ligada ao cinema e à literatura.
Organizado pela Associação Cultural Festroia, com apoio da Câmara Municipal de Setúbal, o evento arranca durante a tarde com uma cerimónia evocativa da vida e obra de Mário Ventura Henriques.
Um dos momentos centrais da homenagem será o descerramento da placa “Sala Mário Ventura” no Cinema Charlot, seguindo-se várias intervenções institucionais e testemunhos de familiares e representantes culturais.
A programação inclui ainda a apresentação da edição fac-similada da obra “Quarto Crescente: A Ficção da Verdade”, livro publicado em 2001 onde o autor cruza memórias pessoais e ficção autobiográfica.
Durante a tarde será também exibido o filme “O Segredo de Miguel Zuzarte”, adaptação cinematográfica inspirada numa das obras de Mário Ventura Henriques, realizada por Henrique Oliveira.
As celebrações encerram à noite com a exibição do clássico italiano “O Sheik Branco”, de Federico Fellini, numa escolha simbólica que presta tributo à forte ligação do homenageado ao universo cinematográfico.
Mário Ventura Henriques foi o fundador do Festroia, festival criado em 1984 e que se tornou uma referência cultural nacional e internacional ao longo de várias décadas. O evento acabaria por se fixar em Setúbal em meados da década de 1990, permanecendo na cidade até à sua última edição, em 2014.
Para além do trabalho ligado ao cinema, destacou-se também como jornalista e escritor, tendo passado por importantes redações nacionais e desempenhado um papel ativo na oposição ao regime do Estado Novo.
Ao longo da vida recebeu vários prémios literários e culturais, sendo igualmente reconhecido pelo município sadino com a Medalha de Honra da Cidade.
A homenagem pretende agora recordar não apenas o homem ligado ao cinema e à escrita, mas também o seu contributo cultural, político e social para Portugal e para Setúbal.
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