Setúbal, um mar que também se escreve com cultura
Setúbal candidata a Capital da Cultura 2028

Há cidades que vivem viradas para o futuro sem perderem a memória. Setúbal é uma dessas cidades. Uma terra onde o rio encontra o oceano, onde a serra protege histórias antigas e onde cada bairro, cada tradição e cada rosto fazem parte de uma identidade que não se explica apenas em mapas…sente-se.
A decisão da Câmara Municipal de Setúbal de avançar com a candidatura a Capital Portuguesa da Cultura 2028, sob o conceito “Setúbal – Mar de Cultura”, é mais do que uma formalidade administrativa. É um convite à cidade para olhar para si própria e reconhecer aquilo que já é: um território de criação, de encontro e de expressão cultural.
A cultura de Setúbal nunca esteve apenas fechada em salas de espetáculo ou em instituições. Está nas ruas, nas coletividades, nas escolas, nos mercados, na gastronomia, nas artes, no trabalho dos criadores e na dedicação de tantos que, muitas vezes longe dos holofotes, mantêm viva a alma do concelho.
A força desta candidatura estará precisamente na capacidade de ser construída com a cidade e não apenas apresentada em nome dela. Uma Setúbal que se quer mostrar ao país tem primeiro de se escutar a si própria. Artistas, associações, freguesias, empresas, comunidades, jovens, escolas e cidadãos têm aqui uma oportunidade de participar numa visão comum.
“Mar de Cultura” é um conceito feliz porque Setúbal sempre foi uma cidade de ligações. O Sado não é apenas uma paisagem bonita; é uma presença, uma memória e uma parte da vida coletiva. A Arrábida não é apenas um cenário; é património e inspiração. A gastronomia não é apenas sabor; é conhecimento transmitido entre gerações. Os bairros não são apenas lugares; são histórias humanas.
Uma Capital da Cultura não se mede apenas pelo número de eventos realizados num determinado ano. Mede-se pelo impacto que deixa, pela forma como aproxima pessoas, valoriza talentos e cria novas possibilidades. A candidatura pode ser uma oportunidade para fortalecer aquilo que Setúbal tem de mais precioso: a sua autenticidade.
Mas há também um desafio. A cultura não pode ser vista como uma bandeira ocasional. Precisa de ser uma escolha permanente, com investimento, participação e espaço para novas ideias. O título, se vier, será importante; mas o verdadeiro património será o caminho feito até lá.
Antes de Setúbal se apresentar ao país, é essencial que todos os setubalenses e azeitonenses se reconheçam nesta proposta. Porque uma cidade não é capital da Cultura apenas quando recebe uma distinção. É quando as pessoas que nela vivem sentem que a cultura também lhes pertence.
E Setúbal tem, afinal, um mar inteiro para navegar.
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