Os sócios do Vitória Futebol Clube aprovaram, na Assembleia Geral realizada na segunda-feira, 28 de julho, um requerimento apresentado pelo movimento ‘Somos Todos Vitória’ que obriga a Direção a alterar uma cláusula do protocolo celebrado com a TAVFER, por considerar que a sua redação poderia permitir uma alegada ingerência de terceiros na gestão desportiva do clube.
O requerimento foi aprovado pelos associados presentes, obrigando a Direção a reformular a cláusula antes da eventual ratificação do acordo.
Na reação à decisão da Assembleia Geral, o movimento considerou que «a vontade dos sócios venceu. O Vitória também», defendendo que a deliberação representou «uma enorme demonstração de responsabilidade e de defesa dos interesses do Clube».
Segundo o comunicado enviado ao Diário do Distrito e partilhado nas redes sociais do Movimento, a redação inicial da cláusula era, no entendimento do movimento, incompatível com o artigo 18 bis do Regulamento da FIFA sobre o Estatuto e Transferência de Jogadores e com as normas da Federação Portuguesa de Futebol relativas à influência de terceiros nos clubes.
«A nossa posição nunca foi contra a parceria com a TAVFER. O que sempre defendemos foi que qualquer contrato deve proteger, acima de tudo, o Vitória FC», e sustenta ainda que, caso a cláusula tivesse permanecido inalterada, «o Vitória FC viria a enfrentar graves consequências desportivas e regulamentares, incluindo processos disciplinares, perda de pontos e até limitações na inscrição de jogadores (transfer ban)», acrescentando que «a decisão dos sócios eliminou esse risco e reforçou a proteção jurídica do Clube».
Movimento pede afastamento de representantes da TAVFER
Apesar da alteração aprovada, o Movimento considera que continuam a existir matérias que exigem atenção, e no comunicado, defende que «qualquer reunião, instrução, orientação ou intervenção de Carlos Silva ou David Leonardo na gestão do futebol do Vitória FC, desde os Sub-15 até à equipa sénior, poderá ser interpretada como uma situação de ingerência reincidente, agravando eventuais sanções que venham a ser aplicadas ao Clube».
Por esse motivo, entende que, até à constituição de uma futura Sociedade Anónima Desportiva (SAD), ambos os representantes ligados ao parceiro privado «devem manter-se totalmente afastados de qualquer intervenção no futebol do Vitória FC».
O Movimento aproveitou igualmente para exigir maior transparência da Direção relativamente à situação patrimonial do clube.
Na nota divulgada após a Assembleia Geral, defende que a Direção «deve dar um primeiro sinal de boa-fé e de transparência perante os sócios, esclarecendo de forma inequívoca quais os ónus e compromissos atualmente existentes sobre o património do Vitória FC».
Nesse sentido, pede a divulgação de todas as hipotecas, direitos de preferência, contratos-promessa ou quaisquer outros encargos que incidam sobre o Complexo do Bonfim, Vale de Cobro ou outros bens patrimoniais do clube, considerando que «só com total transparência será possível negociar um novo contrato, sólido, legal e equilibrado».
‘Somos Todos Vitória’ aponta para ‘factos graves’ e denuncia insultos do presidente
Na mesma comunicação, o ‘Somos Todos Vitória’ afirma que o processo ficou marcado por «três factos graves ocorridos num curto espaço de tempo durante o atual mandato» da Direção.
Entre esses aspetos, o movimento refere a redução de uma garantia bancária de um milhão de euros para 350 mil euros, a assinatura do protocolo com a TAVFER contendo, segundo sustenta, uma cláusula incompatível com os regulamentos desportivos e a forma como o presidente do clube se dirigiu a alguns associados durante sessões de esclarecimento e na Assembleia Geral.
O comunicado acusa ainda o actual presidente do Clube de ter utilizado expressões como ‘gente dessa’ e ‘sócios de vão de escada’, alegadamente proferidas durante a reunião magna, criticando o facto de, segundo o movimento, nunca ter sido apresentado um pedido de desculpas.
«Quem analisa documentos, estuda os regulamentos e procura proteger o Vitória FC merece respeito, mesmo quando discorda da Direção», refere ainda o comunicado, acrescentando que «expressões desta natureza não dignificam o cargo de Presidente nem representam os valores que devem orientar um clube centenário como o Vitória FC».
A terminar, o movimento recorre a uma metáfora futebolística para deixar uma mensagem à liderança do clube: «No futebol, três cartões amarelos têm um significado que todos conhecem. Também na liderança de um clube, os erros repetidos e a falta de respeito pelos sócios devem servir de motivo para uma profunda reflexão.»
O comunicado conclui que «a Assembleia Geral demonstrou uma verdade que nunca pode ser esquecida: no Vitória FC são os sócios que decidem», defendendo que a alteração aprovada permitiu corrigir, em tempo útil, uma cláusula que, na perspetiva do movimento, colocava em causa o futuro do clube.
A Direção do Vitória FC ainda não reagiu publicamente às críticas formuladas publicamente pelo Movimento, no entanto o Diário do Distrito solicitou um esclarecimento para efeitos de contraditório, concedendo um prazo até ao final desta terça-feira, tendo em conta a atualidade do tema.
Até ao momento, não foi recebida qualquer resposta. Caso esta seja enviada ao Diário do Distrito, será publicada.
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