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Setúbal prepara plataforma eólica que pode mudar o mar

A Etermar Energia vai construir em Setúbal um protótipo experimental da plataforma flutuante BayFloat, um projeto ligado à energia eólica offshore financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) e desenvolvido em parceria com entidades científicas e industriais portuguesas.

Setúbal vai receber um projeto tecnológico ligado ao futuro da produção de energia no mar. A empresa Etermar Energia vai construir nas suas instalações da Mitrena um protótipo em escala reduzida da plataforma flutuante BayFloat, uma solução concebida para suportar turbinas de energia eólica offshore.

A iniciativa resulta de uma colaboração entre indústria e centros de investigação portugueses e integra a Agenda Mobilizadora para a Transição Energética, financiada pelo Plano de Recuperação e Resiliência, no âmbito do programa europeu Next Generation. O objetivo principal passa por avaliar, em condições reais, se o conceito pode ser aplicado industrialmente no futuro.

O modelo BayFloat baseia-se numa estrutura semi-submersível em betão, concebida pela empresa alemã BayWa r.e… O projeto já obteve certificação da DNV, entidade internacional reconhecida pela validação técnica e de segurança no setor marítimo e offshore.

Em comunicado divulgado pela empresa, o diretor-executivo da Etermar Energia, Luís Machado, destaca que o projeto representa a aplicação da experiência da empresa na construção de estruturas flutuantes em betão, agora direcionada para soluções ligadas às energias renováveis no mar. O responsável sublinha ainda que a iniciativa contribui para fortalecer o tecido industrial associado à transição energética.

A estrutura experimental terá forma triangular, com cerca de 30 metros de comprimento em cada lado e 3,5 metros de altura, incluindo três torres com cerca de oito metros. A plataforma será utilizada também como espaço de investigação tecnológica.

O sistema será equipado com sensores de fibra ótica desenvolvidos pelo INESC TEC, destinados a acompanhar o comportamento estrutural da plataforma. A monitorização inclui ainda instrumentos para análise ambiental e um Digital Twin, tecnologia criada pela WavEC, que permite reproduzir digitalmente o funcionamento da estrutura em tempo real.

O consórcio do projeto envolve várias entidades. A Etermar assume a liderança na engenharia e construção, enquanto a Secil fornece o betão técnico desenvolvido especificamente para esta aplicação. O INESC TEC e a WavEC são responsáveis pelas componentes de sensorização e análise digital.

Participam ainda a VSL, especialista em sistemas de pós-tensionamento, e o Fórum Oceano, entidade que atua na promoção da economia do mar e que irá apoiar a divulgação e a valorização do projeto.

Segundo o calendário previsto, o protótipo deverá estar concluído em julho de 2026. Após a instalação, a plataforma permanecerá ancorada durante dois anos, período durante o qual serão recolhidos dados técnicos essenciais para avaliar a viabilidade de produzir esta tecnologia em escala industrial.


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