Setúbal perde uma das suas vozes do fado
O fadista setubalense Fernando Machado morreu este sábado, 11 de abril, deixando a cidade sem uma das vozes mais reconhecidas do seu universo fadista. Marceneiro de profissão, ficou também ligado à vida cultural e boémia de Setúbal.

Setúbal está de luto pela morte de Fernando Machado, fadista apontado como uma das vozes mais marcantes da cidade. O fadista morreu este sábado, 11 de abril, segundo a informação para já conhecida nas redes sociais, deixando um nome associado à memória do fado setubalense e a um percurso profundamente enraizado na identidade local.
Conhecido no meio cultural da cidade, Fernando Machado era visto como uma das melhores vozes de Setúbal, num reconhecimento construído ao longo de anos de ligação ao fado e à vivência popular setubalense. A sua morte representa a perda de uma figura que, para muitos, fazia parte de um património artístico e humano difícil de substituir.
Para lá da música, Fernando Machado era marceneiro de profissão, tendo mantido uma oficina no rés do chão do edifício onde funcionou o antigo Círculo Cultural de Setúbal, espaço hoje identificado como Casa da Cultura. Essa proximidade entre o trabalho manual e a presença no coração da vida cultural da cidade ajuda também a explicar a relação de autenticidade que sempre manteve com Setúbal.
O seu nome ficou igualmente ligado à antiga casa de fados Ribeirinha do Sado, situada na Avenida Luísa Todi, num período em que estes espaços eram pontos de encontro de artistas, amantes do fado e da vida noturna setubalense. Essa passagem reforçou a imagem de Fernando Machado como um homem profundamente ligado à tradição, à cidade e à expressão popular do fado.
Descrito como solidário, popular, autêntico e apoiante de causas sociais, Fernando Machado deixa uma marca que ultrapassa a dimensão artística. A notícia da sua morte atinge não apenas quem acompanhou o seu percurso no fado, mas também quem com ele se cruzou numa cidade onde o nome era reconhecido com respeito e proximidade.
Com a sua partida, Setúbal perde uma voz, uma presença e uma memória viva de um tempo em que o fado se confundia com os rostos, os lugares e a identidade da própria cidade.
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