Setúbal em choque: teatro responde ao Chega
O Teatro Animação de Setúbal reagiu com firmeza às posições assumidas pelos vereadores do Chega na Câmara Municipal de Setúbal relativamente ao apoio financeiro às companhias locais, defendendo que a criação artística não pode ser condicionada por critérios ideológicos.
O Teatro Animação de Setúbal (TAS) tornou público o seu desagrado perante as declarações e o sentido de voto dos vereadores do Chega na última reunião pública da Câmara Municipal de Setúbal, onde esteve em análise o apoio financeiro às estruturas teatrais da cidade.
A companhia afirma ter recebido com surpresa as críticas dirigidas ao trabalho cultural desenvolvido em Setúbal, após este ter sido classificado como uma suposta “agenda ideológica” e apontado como elemento de divisão. Para o TAS, esse tipo de posicionamento demonstra desconhecimento sobre a natureza e função das artes numa sociedade democrática.
Na posição divulgada, a estrutura cultural sublinha que o teatro desempenha um papel essencial no debate social, ao estimular reflexão, questionamento e pensamento crítico. Nesse contexto, considera preocupante a ideia de que determinados conteúdos artísticos possam ser considerados aceitáveis ou não com base em interpretações morais, ou políticas.
A companhia recorda que a democracia pressupõe liberdade de criação e pluralidade cultural, defendendo que o apoio público à cultura não deve ser condicionado por concordância ideológica. Segundo o TAS, esse investimento representa antes um contributo para a diversidade artística e para a identidade cultural de uma comunidade.
A reação surge após os vereadores do Chega terem votado contra o apoio financeiro à companhia. Entre os argumentos apresentados esteve a referência ao espetáculo “Manuel do bom fascista”, baseado num texto do escritor Rui Zink, apresentado pelo TAS.
Perante esta situação, a companhia reforça que continuará a desenvolver o seu trabalho artístico de forma livre, independente e profissional, mantendo o compromisso com a criação cultural e com a liberdade de expressão.
O episódio voltou a colocar no centro do debate local o papel da cultura e a relação entre financiamento público e liberdade artística, num momento em que o setor cultural procura preservar espaço para diferentes visões e expressões criativas.
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