Setúbal afunda-se em milhões após temporal
Os estragos causados pelas intempéries do início de fevereiro já somam cerca de 100 milhões de euros na península de Setúbal, num balanço ainda provisório. Setúbal concentra perto de metade desse valor, num cenário marcado por danos em estradas, taludes, escolas, drenagens e outros equipamentos públicos.

O impacto das intempéries que atingiram a região no início de fevereiro já se traduz numa fatura pesada para os concelhos da península de Setúbal. Os dados reunidos até ao momento apontam para cerca de 100 milhões de euros em prejuízos, embora o valor continue em atualização e possa crescer significativamente nas próximas semanas, à medida que forem concluídos novos levantamentos e formalizados mais pedidos de apoio.
Neste retrato ainda incompleto, Setúbal surge como o concelho mais afetado, com um valor que ronda os 50 milhões de euros, o equivalente à metade de todo o montante já apurado na região. A dimensão dos danos colocados em cima da mesa revela a violência do mau tempo, sobretudo ao nível da rede viária, das linhas de água, das estruturas de contenção e dos equipamentos municipais.
A diferença entre os números apresentados pelos vários municípios não significa, porém, que os estragos tenham sido residuais nalguns territórios. Em muitos casos, o processo de quantificação continua em curso e há autarquias com um número ainda reduzido de ocorrências participadas, enquanto noutras o levantamento já avançou de forma mais expressiva. Por isso, o mapa final dos prejuízos continua longe de ficar fechado.
Depois de Setúbal, Almada aparece entre os concelhos com maior impacto financeiro já contabilizado, com 15,9 milhões de euros. Seguem-se Palmela, com 9,3 milhões, Alcochete, com 7,9 milhões, e Seixal, com 7,8 milhões. Mais abaixo surgem a Moita, com 4,5 milhões, o Montijo, com 1,9 milhões, e o Barreiro, com 1,4 milhões. Em Sesimbra, o valor então apurado era mais reduzido, na ordem dos 530 mil euros, apesar de também ali existirem danos relevantes, sobretudo nas ligações à zona portuária.
Uma parte importante destes prejuízos está relacionada com estradas cortadas ou degradadas, mas há também problemas em redes de drenagem, em escolas, em edifícios municipais e noutras infraestruturas públicas. O quadro geral mostra uma região fortemente pressionada por um episódio meteorológico que deixou marcas em vários pontos do território.
No litoral alentejano, o caso mais severo é o de Alcácer do Sal, onde os danos já estimados chegam aos 10 milhões de euros. O avanço das águas do Sado para a zona baixa da cidade e a degradação de estradas e caminhos contribuíram para um cenário de forte impacto local. Mantém-se, entretanto, a expectativa quanto aos apoios destinados ao comércio, numa altura em que a necessidade de resposta rápida continua a ser uma das maiores preocupações no terreno.
Em Grândola, apesar de a situação não atingir a mesma dimensão observada noutros concelhos, há danos em estradas municipais e caminhos rurais, bem como ocorrências comunicadas por agricultores de Santa Margarida do Sado. Também são avaliadas intervenções em edifícios mais afetados. Em Santiago do Cacém, os levantamentos seguem igualmente no terreno para permitir o avanço das obras consideradas necessárias.
Já em Sines, os prejuízos conhecidos rondam os 1,5 milhões de euros. O caso mais marcante é o da ligação entre São Torpes e Porto Covo, onde o colapso de um troço da estrada municipal obrigou ao encerramento da via. O aluimento ocorreu após uma forte descarga da Barragem de Morgavel, num episódio raro, mas com consequências profundas na circulação e na ligação a uma zona com peso económico e turístico.
A autarquia de Sines quer avançar rapidamente com a reabilitação daquele troço, numa intervenção avaliada em mais de um milhão de euros, com a meta de repor a estrada antes do verão. A urgência prende-se com a importância daquela ligação para residentes, visitantes e negócios ligados à frente marítima, numa altura em que a alternativa disponível obriga a desvios mais longos.
Em Setúbal, o cenário é especialmente expressivo. O concelho contabilizava 1.888 ocorrências, refletindo a dimensão de um impacto que se estende por várias frentes. Entre as intervenções consideradas prioritárias estão a reparação de estradas em terra batida e pavimentadas, a recuperação de edifícios públicos, a estabilização de taludes, trabalhos em zonas como Albarquel e Arrábida, a reposição de sistemas de proteção em áreas de encosta e a reparação de passagens hidráulicas.
Já há verbas direcionadas para algumas dessas respostas, com 27 milhões de euros destinados à rede viária, cinco milhões reservados para edifícios municipais e equipamentos escolares, e 14 milhões para obras em muros de contenção e taludes. O remanescente deverá ser aplicado noutras frentes, incluindo saneamento e equipamentos de lazer.
Mesmo com estes números já em cima da mesa, a realidade está longe de estar fechada. O balanço continua a ser provisório e tudo indica que o custo total das intempéries venha a subir. Para já, o que fica à vista é a dimensão de um temporal que deixou marcas profundas em vários concelhos e expôs a fragilidade de infraestruturas essenciais perante fenómenos meteorológicos de grande intensidade.
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