Opinião

Setembro: voltar a fazer política com responsabilidade

O que fazer pela Quinta do Anjo.

Setembro marca, todos os anos, o regresso à vida normal. Regressam as escolas, regressam as famílias às suas rotinas e regressa também a atividade política depois da pausa de agosto.

Na Quinta do Anjo, este setembro não pode ser apenas mais um regresso ao calendário político. Deve ser o momento de voltar a discutir aquilo que verdadeiramente interessa às pessoas: o funcionamento da Junta de Freguesia, a qualidade dos serviços que presta e a capacidade dos seus responsáveis para cumprir as competências que a lei lhe atribui.

Uma Junta de Freguesia tem responsabilidades concretas e importantes na vida diária da população.

Falamos da manutenção e conservação de caminhos, arruamentos e pavimentos pedonais que estejam sob a sua responsabilidade. Da conservação de sinalização vertical não iluminada. Da manutenção de abrigos de passageiros. Da gestão e conservação dos cemitérios propriedade da freguesia. Da gestão e manutenção de parques infantis e equipamentos desportivos de âmbito local. Da conservação de chafarizes e fontanários. Da colocação e manutenção das placas toponímicas.

Falamos também de ação social, cultura, desporto, educação e apoio às associações e instituições da freguesia. Falamos do apoio às atividades de interesse para a comunidade e da capacidade de desenvolver projetos de intervenção comunitária.

São competências concretas. São responsabilidades concretas. E são áreas onde os cidadãos têm todo o direito de exigir resultados.

A Junta tem ainda responsabilidades administrativas fundamentais para o funcionamento da freguesia. Tem de gerir os seus serviços, os seus trabalhadores, o seu património, o seu orçamento e os seus recursos. Tem de executar as deliberações dos seus órgãos. Tem de prestar contas. Tem de responder aos cidadãos. Tem de cumprir a lei.

É aqui que a política local deve começar.

Não basta anunciar iniciativas se depois não existe capacidade para as executar. Não basta apresentar projetos se não há organização para os concretizar. Não basta procurar justificações quando surgem dificuldades. Quem assume responsabilidades públicas deve estar preparado para responder por elas.

A Quinta do Anjo merece uma Junta presente, organizada e próxima.

Uma Junta que esteja na rua. Que conheça os problemas dos seus bairros e localidades. Que acompanhe os equipamentos que estão sob a sua responsabilidade. Que dialogue com as associações, instituições, comerciantes e população. Que apoie quem trabalha diariamente pela comunidade.

E merece também uma oposição exigente, mas responsável.

Fiscalizar não é destruir. Questionar não é bloquear. Apresentar alternativas não significa querer que tudo corra mal. Pelo contrário. Uma oposição forte é uma garantia de que quem governa sabe que terá de prestar contas.

O novo ano político deve, por isso, começar com uma ideia simples: cada responsabilidade deve ser assumida com seriedade e cada compromisso deve ser cumprido.

A população não exige perfeição. Exige trabalho. Exige presença. Exige capacidade de decisão. Exige que os problemas sejam acompanhados e que as respostas não fiquem eternamente adiadas.

A estabilidade institucional também não é um detalhe. É uma condição para governar.

Uma Junta de Freguesia precisa de conseguir reunir, deliberar, decidir e executar. Precisa de um executivo capaz de funcionar e de assumir as suas responsabilidades perante a Assembleia de Freguesia e perante a população.

Quando uma instituição pública deixa de funcionar normalmente, quem perde é a comunidade.

Por isso, o próximo ano político deve ser marcado por responsabilidade, transparência e trabalho.

A Quinta do Anjo tem uma comunidade forte, dinâmica e participativa. Tem associações, instituições, famílias e pessoas que todos os dias fazem mais pela freguesia do que muitas vezes reconhecemos.

A política deve estar à altura dessa comunidade.

Setembro é o momento de regressar. Mas deve ser também o momento de recomeçar.

Recomeçar com menos ruído e mais trabalho. Menos desculpas e mais responsabilidade. Menos política de circunstância e mais serviço público.

Porque, no fim, é isso que as pessoas esperam de quem ocupa cargos públicos: que cumpra os compromissos, que exerça as suas responsabilidades e que esteja ao serviço da terra que representa.

E na Quinta do Anjo há muito para fazer.


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