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Sesimbra rende-se outra vez às Chagas

A Festa das Chagas regressa a Sesimbra entre 24 de abril e 4 de maio de 2026, com concertos diários, gastronomia do mar, animação popular e a procissão em honra do padroeiro dos pescadores, num dos momentos mais simbólicos e mobilizadores da vila.

Sesimbra prepara-se para voltar a viver um dos períodos mais marcantes do seu calendário anual com o regresso da Festa das Chagas, que decorre entre 24 de abril e 4 de maio de 2026, no recinto da feira, na Avenida da Liberdade. Mais do que um evento festivo, trata-se de uma celebração profundamente ligada à memória coletiva da vila, à fé da comunidade marítima e à identidade de um território que continua a olhar para o mar como parte da sua história e da sua vida diária.

Ao longo de 11 dias, o recinto recebe um programa que junta música ao vivo, espaços de restauração, zonas de convívio e momentos de animação pensados para diferentes públicos. A iniciativa volta a afirmar-se como uma das maiores expressões populares de Sesimbra, cruzando tradição religiosa, programação cultural e promoção da economia local num ambiente que, ano após ano, mobiliza residentes e visitantes.

No cartaz musical, a edição deste ano apresenta atuações de Constança Quinteiro, Jeito Maneiro e Mara, além do espetáculo Mulheres: Voz e Legado. O programa abre ainda espaço a tributos dedicados a nomes internacionais como Queen e Tina Turner, sem esquecer propostas mais viradas para o entretenimento noturno, como a Silent Disco. A maioria dos espetáculos está marcada para as 22h, reforçando o ambiente de festa que se prolonga noite dentro.

Mas se a música dá ritmo ao certame, é a componente religiosa que continua a representar o coração destas celebrações. A Festa em Honra do Senhor Jesus das Chagas, padroeiro dos pescadores, volta a assumir o seu peso simbólico no encerramento das festividades, a 4 de maio, feriado municipal. Nesse dia, a tradicional procissão sai da Igreja Matriz de Santiago e percorre as principais ruas da vila, num dos momentos de maior carga identitária e emocional para a população.

Pelo caminho, repete-se uma imagem que faz parte da alma desta celebração: varandas adornadas com colchas e ruas cobertas de alecrim, numa manifestação coletiva que transforma o espaço público e sublinha o envolvimento da comunidade. O instante mais simbólico acontece no Largo da Marinha, com a bênção ao mar e às embarcações, num gesto que liga devoção, proteção e gratidão a uma atividade que moldou Sesimbra ao longo de gerações.

A par da dimensão religiosa e cultural, a festa volta também a ter um peso relevante na atividade económica local. As tasquinhas e áreas de restauração dedicadas ao peixe e marisco reforçam a valorização dos produtos do mar, enquanto a presença de entidades ligadas ao setor marítimo e piscatório ajuda a sublinhar a importância desta herança no presente e no futuro do concelho.

Num tempo em que muitas celebrações populares perdem densidade e identidade, Sesimbra volta a mostrar que há festas que continuam a ser muito mais do que entretenimento. A Festa das Chagas regressa com palco, com mesa cheia e com ruas preparadas para a devoção, mas regressa sobretudo com aquilo que a distingue de quase tudo o resto: a capacidade de unir tradição, comunidade e memória num só acontecimento.


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