Seguro sob pressão para romper silêncio
Ana Gomes espera que António José Seguro marque distância face ao Governo e condene claramente a ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, considerando que está em causa o respeito pelo direito internacional e a posição externa de Portugal.

Ana Gomes defendeu que o novo Presidente da República, António José Seguro, deverá assumir uma posição inequívoca perante a ofensiva militar dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, esperando que se demarque do Governo e condene aquilo que classifica como uma agressão ilegal.
Em declarações no ‘podcast’ lusa Extra, a antiga eurodeputada socialista sustentou que o chefe de Estado tem margem para agir e para afirmar uma linha própria num momento internacional que considera particularmente grave. Para Ana Gomes, essa intervenção poderá ser decisiva para “limpar a honra de Portugal”, numa altura em que entende que o país deve reafirmar o respeito pelo direito internacional.
A antiga diplomata, que apoiou desde o início a candidatura presidencial de António José Seguro, considera que o novo Presidente entra em funções num dos cenários externos mais difíceis de que tem memória. Na sua leitura, Portugal deveria seguir um caminho oposto ao do atual executivo, liderado por Luís Montenegro, que acusa de se ter alinhado politicamente com a ação militar lançada contra o Irão.
Ana Gomes reconheceu que o regime iraniano é “sinistro”, mas advertiu para o risco de consequências graves à escala regional e global. Na sua perspetiva, qualquer responsável político deve ser claro ao classificar a ofensiva como uma violação do direito internacional, independentemente da natureza do regime em causa.
Questionada sobre a possibilidade de António José Seguro assumir essa posição, Ana Gomes disse esperar que o novo Presidente tenha coragem política para o fazer. Ainda assim, admitiu que possa não querer abrir uma frente imediata com o Governo no arranque do mandato, evitando fragilizar o executivo logo no início da nova fase institucional.
A ex-candidata presidencial insistiu que o Presidente da República deve reafirmar o valor das normas internacionais e rejeitar ações contrárias aos princípios das Nações Unidas, lembrando também que o secretário-geral da organização, António Guterres, é português. Para Ana Gomes, o direito internacional continua a ser a principal proteção dos países de menor dimensão e o seu enfraquecimento abre caminho à lógica de força nas relações entre Estados.
A antiga embaixadora criticou ainda as declarações de Luís Montenegro no parlamento, considerando que traduzem uma leitura seletiva das regras internacionais. Defendeu, por isso, que Portugal não deve repetir posicionamentos do passado em momentos de forte tensão internacional, numa referência à atitude do Governo de Durão Barroso perante a invasão do Iraque, em 2003.
A ofensiva militar contra o Irão, lançada há cerca de uma semana por Israel e pelos Estados Unidos, agravou a instabilidade no Médio Oriente e desencadeou uma resposta de Teerão com mísseis e ‘drones’ dirigidos contra bases norte-americanas na região e alvos israelitas. Neste contexto, cresce a pressão política sobre o novo Presidente português para clarificar se acompanhará a prudência do Governo ou se optará por uma demarcação mais firme.
No debate quinzenal na Assembleia da República, Luís Montenegro afirmou que Portugal não acompanhou nem subscreveu a operação militar e sublinhou que o país não esteve envolvido na ação, embora sem avançar para uma condenação explícita da ofensiva.
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