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Secretário de Estado apela a emigrantes da construção civil para ajudarem na reconstrução das infraestruturas em Portugal

Governo disponibiliza 2,5 mil milhões de euros para apoiar áreas afetadas pelas depressões Kristin e Leonardo e destaca falta de mão-de-obra nacional para reparações.

O secretário de Estado das Comunidades Portuguesas, Emídio Sousa, apelou a 5 de fevereiro aos emigrantes portugueses que trabalham na construção civil para regressarem a Portugal e colaborarem na reconstrução das infraestruturas danificadas pelas depressões Kristin e Leonardo.

Em Lisboa, Emídio Sousa referiu que “o Governo português pede à nossa comunidade emigrante, àqueles que têm competências nas áreas da construção civil, sobretudo a esses, que a melhor ajuda é virem para Portugal ajudar nesta recuperação”. Sublinhou que esta ajuda não implica trabalho gratuito, destacando que “nós temos o dinheiro”, numa referência aos 2,5 mil milhões de euros anunciados pelo Governo para apoiar os afetados, além dos pagamentos a cargo das seguradoras.

O secretário de Estado salientou a escassez de mão-de-obra nacional para reparar infraestruturas públicas, fábricas e habitações afetadas pelas tempestades e admitiu que esta poderá ser uma “oportunidade de negócio” para empresas de países europeus com menor volume de trabalho nos primeiros meses do ano, nomeadamente França, Suíça, Luxemburgo, Alemanha e Inglaterra.

Garantiu que os processos deverão ser transparentes e íntegros para que as despesas sejam reembolsadas pelo Estado, e afirmou que o Governo está disponível para “agilizar” a burocracia relacionada com empresários que tenham atividade noutro país. “Portugal neste momento tem fundos disponíveis para pagar estes trabalhos. Naturalmente que há um processo burocrático de faturação, de impostos. Nós teremos as estruturas de missão do Governo português que estão disponíveis para agilizar procedimentos e apoiar em alguma dificuldade que exista”, vincou.

Sobre a recolha de fundos por financiamento coletivo na Internet, Emídio Sousa pediu “prudência” e aconselhou que os recursos sejam direcionados a “instituições de âmbito social, como lares de idosos ou corporações de bombeiros que tenham sofrido estragos nas suas instalações, ou obtenham informação fiável junto de autarquias”. Alertou que “às vezes esse ‘crowdfunding’ nas redes sociais, numa conta algures, pode não chegar ao destinatário que eles pretendem”.

Em Portugal, as depressões Kristin e Leonardo causaram a morte de doze pessoas desde a semana anterior, além de muitos feridos e desalojados. Os tempestades provocaram destruição total ou parcial de casas, empresas e equipamentos, quedas de árvores e estruturas, encerramento de estradas, escolas e serviços de transporte, bem como cortes de energia, água e comunicações.

As regiões Centro, Lisboa e Vale do Tejo, e Alentejo são as mais afetadas. O Governo prolongou a situação de calamidade até 15 de fevereiro para 68 concelhos, que beneficiarão de medidas de apoio até 2,5 mil milhões de euros.


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