Saúde (53%), educação (43%) e desemprego (34%) são as áreas apontadas com maior frequência como principais problemas nos países de língua portuguesa, segundo o primeiro Barómetro da Lusofonia, estudo que auscultou cidadãos de oito países da CPLP. O relatório foi produzido pelo Ipespe e apresentado na sede da CPLP, em Lisboa.
De acordo com o coordenador do estudo, o cientista político Antonio Lavareda, as preocupações mais centrais “ancoram-se na qualidade dos serviços públicos e nas condições de inserção económica”, surgindo num segundo patamar temas como violência, inflação e acesso a água, energia e saneamento.
Portugal: saúde no topo e desemprego com pouca expressão
Em Portugal, a saúde surge como a principal preocupação, com 55% das citações. Em contraste com a tendência verificada noutros países analisados, o desemprego é pouco referido pelos portugueses (9%). A inflação também surge com baixa frequência, embora a economia, em termos gerais, reúna 22% das menções.
Diferenças marcadas entre países e “picos” em áreas essenciais
O estudo evidencia variações significativas na hierarquia de problemas de país para país:
- Moçambique é a principal exceção no peso atribuído à saúde: apenas 28% referem esta área, enquanto a educação lidera as preocupações com 35%. O desemprego surge com 21%, e as questões económicas (incluindo inflação e economia em geral) aparecem como eixo relevante das inquietações.
- Em Angola, o topo do ranking segue a tendência geral, mas com valores mais elevados para educação e desemprego: educação (53%), saúde (48%) e desemprego (45%). A inflação aparece em quarto lugar com relevo acima da média do conjunto analisado.
- Na Guiné-Bissau, os indicadores atingem os valores mais altos registados para qualquer problema entre os países analisados: 85% apontam a saúde e 78% a educação como principais desafios, sinalizando carências agudas na provisão de serviços essenciais.
- No Timor-Leste, a perceção distribui-se por várias frentes críticas, com cerca de seis em cada dez entrevistados a assinalarem saúde (59%), educação (59%) e desemprego (58%).
- No Brasil, as principais preocupações indicadas são saúde (45%), violência (40%) e educação (35%). O estudo nota que o tema da segurança ganhou centralidade no debate público após uma megaoperação policial realizada no final de outubro de 2025 no Rio de Janeiro.
- Em Cabo Verde, o desemprego lidera com 60%, seguido de saúde (55%) e violência (47%). A inflação e o aumento de preços recolhem 25% das menções.
25 indicadores e clivagens por escolaridade
O Barómetro da Lusofonia reúne perceções sobre 25 indicadores, incluindo saúde, educação, desemprego, violência, inflação/aumento de preços, água/energia/saneamento, corrupção, infraestruturas, desigualdade e pobreza, economia, instabilidade política e conflitos, habitação, desastres ambientais, direitos e discriminações (incluindo comunidade LGBTQIA+ e racismo), justiça, internet, agricultura, cultura e baixos salários, entre outros.
Segundo Antonio Lavareda, o nível de instrução é a variável que gera as maiores diferenças na forma como os cidadãos percecionam os problemas. O responsável sublinha ainda que, em vários países, o otimismo em relação ao futuro parece estar mais ligado à esperança de avanços concretos — sobretudo no acesso a serviços, criação de emprego e melhoria das condições de vida — do que a uma perceção de conforto no presente.
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