Santo André dispara com novas casas e levanta alerta geral
A aprovação de 378 novas habitações em Santo André promete aliviar a crise de casa no concelho, mas abre um novo debate: há serviços suficientes para acompanhar o crescimento que já está no terreno?
A Câmara Municipal de Santiago do Cacém aprovou a alienação de quatro lotes no Loteamento do Galeão, em Vila Nova de Santo André, numa decisão que desbloqueia a construção de 378 novas habitações, parte delas destinadas a custos controlados. A medida surge como resposta direta à pressão habitacional que se intensifica na região.
O avanço do projeto, aprovado por unanimidade, integra uma estratégia mais ampla de aumento da oferta de casas num concelho que tem vindo a ganhar população à boleia da dinâmica económica. Para além deste loteamento, estão já em perspetiva mais de 200 fogos em Santiago do Cacém e novas construções noutras freguesias.
Mas o número que mais pesa está ainda por concretizar. O presidente da autarquia, Bruno Gonçalves Pereira, admite que o território pode receber, faseadamente, até 3.118 novas habitações em Santo André, um cenário que reforça a dimensão do crescimento em curso.
Se a habitação une o executivo, o impacto desse crescimento divide opiniões. A vereadora da CDU, Sónia Gonçalves, deixou um alerta claro: as infraestruturas já mostram sinais de desgaste, com dificuldades nas escolas, nas ligações rodoviárias e nos sistemas de água e saneamento.
A preocupação é partilhada pela vereadora do Chega, Cláudia Estêvão, que sublinha que o aumento da população, impulsionado pelo emprego, tem de ser acompanhado por respostas concretas nos serviços públicos, sobretudo na saúde e na educação.
O executivo reconhece a pressão e admite que o desafio ultrapassa a esfera municipal. Está prevista uma reunião com a secretária de Estado da Habitação para discutir soluções em áreas críticas como ensino, justiça e cuidados de saúde, numa tentativa de antecipar os efeitos do crescimento.
No imediato, do total de fogos aprovados no Galeão, entre 20 e 30 habitações ficarão sob gestão direta da autarquia, permitindo alguma intervenção municipal num mercado cada vez mais pressionado.
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