Setúbal

Sado virou refúgio secreto dos cavalos-marinhos

O estuário do Sado confirma-se como peça-chave na conservação dos cavalos-marinhos, segundo resultados agora divulgados pelo ICNF. Dois projetos científicos identificaram dezenas de exemplares, delimitaram zonas críticas e apontaram ameaças que pressionam estas populações.

O estuário do Sado afirma-se como um território decisivo para a proteção dos cavalos-marinhos, segundo os resultados de dois projetos científicos divulgados pelo Instituto da Conservação da Natureza e das Florestas (ICNF), no âmbito do Dia Mundial da Vida Selvagem.

As conclusões dos projetos Cavalos de Tróia e CavalSado reforçam o valor estratégico deste ecossistema para a sobrevivência destas espécies e sublinham a necessidade de medidas eficazes de proteção e gestão ambiental

A investigação, recorrendo a mergulho científico e colaboração com entidades locais, permitiu mapear distribuição, abundância e diversidade ao longo do estuário, com especial atenção a pradarias de ervas marinhas, campos de ostras e estruturas portuárias, ‘habitats’ essenciais para a presença destes animais. 

No total, foram identificados 56 exemplares pertencentes a cinco espécies, incluindo cavalo-marinho de focinho comprido e cavalo-marinho comum, além de diferentes peixes-agulha, num retrato que dá peso científico à importância do Sado enquanto área de conservação. 

Os trabalhos permitiram ainda delimitar três zonas prioritárias consideradas críticas pela abundância e diversidade registadas: Soltroia, Marina de Tróia e Marina Marbella.

O ICNF chama a atenção para o facto de os cavalos-marinhos serem espécies bandeira da conservação marinha, particularmente vulneráveis pela reduzida capacidade de dispersão e pela forte dependência de ‘habitats’ específicos. Também funcionam como indicadores da qualidade ambiental em sistemas costeiros e estuarinos, com impacto direto na biodiversidade e na sustentabilidade dos ecossistemas. 

Entre as principais ameaças identificadas estão a degradação dos ‘habitats’, o lixo marinho e o ruído subaquático, fatores que aumentam a pressão sobre estas populações num estuário onde a convivência entre natureza e atividade humana é permanente. 

Um dos registos mais relevantes foi a identificação inédita de um jardim de gorgónias, corais de água fria, a baixa profundidade e em substrato móvel, uma realidade que, segundo o instituto, não tinha sido reportada em ambientes estuarinos. 

Para o ICNF, os dados agora divulgados constituem uma base científica essencial para futura monitorização e para apoiar decisões de gestão, ordenamento do território e definição de medidas de proteção no estuário do Sado.

A investigação resulta de uma colaboração entre várias entidades públicas e privadas, incluindo MARDIVE, MARE, NOVA FCT, ARNET, Tróia Natura, Programa Mares Circulares da Coca-Cola em Portugal (implementado pela Liga para a Proteção da Natureza), Câmara Municipal de Setúbal e o ICNF


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