Opinião

Reformar o Partido para almejar Reformar o País

Pedro Contreiras

Entre os dias 16 e 17 de maio os militantes do CDS-PP irão reunir-se naquele que é o seu órgão máximo, o Congresso Nacional. Em Alcobaça, o momento é de particular relevância para o futuro do partido.

Aquilo que está em escolha é entre ser fiel a si próprio ou continuar a deixar-se diluir numa parceria com o Partido Social Democrata. Entre voltar a recuperar a sua identidade através de um projeto político próprio e condizente com a sua doutrina ou continuar a deixar-se guiar pela espuma dos dias e as correntes que a mesma vai ditando.

Se há quatro anos o partido tinha perdido a sua representação parlamentar dessa forma visto ser reduzido a uma insignificância política que até então nunca tinha conhecido, atualmente, pelo menos no plano institucional, esse já não é o cenário.

O CDS está presente no Governo, na Assembleia da República, nos Governos das Regiões Autónomas e respetivas assembleias, bem como em inúmera Autarquias.

Contudo, a questão é bem mais profunda do que aquela que se prende com o plano da representação institucional. Afinal de contas, urge fazer-se as seguintes questões.

O CDS-PP regressou ao Parlamento, mas aquelas que são as suas ideias identitárias e históricas regressaram consigo? Desde que voltou à Assembleia a República, quais as principais bandeiras defendidas pelo partido de forma autónoma e sem receios de ser irreverente?

A recuperação institucional do partido representou de igual forma uma recuperação da sua relevância política concreta? A presença do CDS no Governo e na Assembleia da República tem tido repercussão mediática condizente com o papel institucional que ocupa?

Para qualquer uma das perguntas acima efetuadas, todas as respostas que poderia dar dificilmente poderiam ser interpretadas como um elogio ou uma consonância com a atual estratégia política seguida pelo partido.

É verdade, nem tudo foi mal feito. Apenas um louco poderia afirmar isso mesmo. A coligação com o PSD, quando iniciada, fez todo o sentido, tanto para o país e a vitória nas respetivas eleições legislativas, como para o próprio partido que ainda se encontrava num momento de reestruturação interna profunda e delicada.

Contudo, esse quadro já não é o que dita as condições do cenário atual.

Como referido, o partido já recuperou relevância institucional e internamente já se conseguiu estabilizar, provavelmente até demais.

O que é então agora urgente é voltar-se a afirmar do ponto de vista político. É voltar a recuperar algumas daquelas que sempre foram as suas causas e não ter medo algum de reivindicar novas bandeiras.

Para isso, tem de se recentrar. Voltar à génese e ao essencial para, a partir daí, poder afirmar então que direção deve o país seguir.

Na ausência desse exercício e, principalmente, dessa atividade por parte do partido foi então isso que a Juventude Popular se lançou a fazer na Moção de Estratégia Global que apresenta ao Congresso do CDS-PP.

Regressou ao centro. Voltou a olhar para aquilo que é e sempre foi a sua identidade, de modo a mostrar como os seus princípios e valores não estão perdidos ou pertencem a uma qualquer realidade passada. Os mesmos, são atuais e urgem ser defendidos e aplicados para que o país possa sair do marasmo em que se encontra e em muito parece não querer sair.

Foi a partir dessa nova viagem ao centro que não teve qualquer medo de afirmar aquilo que entende que deve ser reformado no sistema educativo, no mundo do trabalho, na fiscalidade mas também na justiça ou na atual Constituição.

Como sempre foi a sua marca, sendo irreverente e audaz sem nunca perder a responsabilidade e o pragmatismo político.

Foi também através deste exercício simples de voltar a olhar para dentro, que rapidamente pôde afirmar, mais uma vez, que em Portugal não há mais nenhum partido a representar os princípios e os valores que são os do CDS.

Nem o seu tão badalado “parceiro de coligação”.

É então fruto disso mesmo, que o raciocínio que se realiza é simples.

Se o CDS-PP quer voltar a recuperar a sua influência política concreta e verdadeiramente, para tal, tem de recuperar a sua identidade. Não pode ter qualquer receio de afirmar qual é a sua matriz ideológica e doutrinária para que, a partir daí, assuma de forma taxativa e inequívoca as reformas profundas que o país precisa e qual o caminho que o mesmo deve seguir.

Se para isso tiver de incomodar algumas vezes o seu parceiro, que assim seja.

Antes incomodar um parceiro, do que ser infiel a si próprio e, dessa forma, ser infiel a Portugal.


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